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Está na hora de você rever seus conceitos!

Descobri que estou grávida, eu conto para o chefe? Pode parecer antiquado, mas essa dúvida aparece!

(Foto: Shutterstock)

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Estou grávida: conto para o/a chefe? Essa pergunta parece muito antiquada. Parece mas não é. Ainda muitas mulheres sofrem por causa dela. A feliz notícia da gravidez muitas vezes é acompanhada pela dúvida de como e quando contar ao/à chefe. Espero os 3 primeiros meses? E se eu começar a enjoar e ficar meio “na cara”? Mas isso vai prejudicar a promoção que vem sendo acenada para mim nas últimas semanas?

Pois é, mesmo no ano de 2016, ainda paira essa dúvida na cabeça de muitas mulheres e os fantasmas se misturam com a felicidade da notícia. Estarão essas grávidas exagerando ou é para ter mesmo esse receio? Aliás, para muitas mulheres, mesmo quando a decisão de ter filhos é tomada, antes da gravidez confirmada, ela é, na maior parte das vezes, escondida. O raciocínio é o de que o silêncio é mais eficaz e promoverá menos turbulências na carreira.

Mas de onde vem tanto medo? Uma das razões nasce da nova identidade social que a mulher passa a assumir, entendendo esse termo (identidade social) como a forma que alguém é percebido por ele/ela mesma e pelos outros. Ou seja, a identidade social migra de uma identidade de mulher profissional para uma identidade de uma mulher-profissional-grávida. Nesse trinômio de identidade parece que o “pilar” grávida é o que mais se mostra saliente (com e sem trocadilhos!). Sim, além de tudo a gravidez é visível, a barriga crescendo é um fato, além de possíveis enjoos. Pois bem, junto com a identidade social da grávida, caminha junto uma visão estereotipada de que a mulher nessa fase torna-se mais emotiva e mais frágil, o que seria algo na contramão do que se espera de um/uma profissional.  Conscientes desse mecanismo social, o que as grávidas fazem é tentar minimizar e lutar contra esse estereótipo, evitando todas as atitudes que possam reforçá-lo.  Ou seja, é uma tentativa de administrar a identidade social para que as distorções sejam minimizadas. Certa vez ouvi de uma grávida:

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Sabe, em alguns momentos eu fiz mais coisas e me esforcei ainda mais durante a gravidez. Queria mostrar que minha atitude como profissional não havia sido abalada pela gravidez. Até exagerei em alguns dias.”

Ou seja, parece que as mulheres precisam provar que estar grávida não significa ser uma profissional pior. E esse mecanismo não começa quando vem a notícia do “positivo”. Algumas mulheres, já sabendo que precisarão se provar mais adiante, meses antes da gravidez já acionam o mecanismo da compensação. Ou seja, mostram-se ainda mais capazes, ainda mais competentes e dessa forma sentem-se mais blindadas contra futuras potenciais críticas.

Já basta, não? Está na hora de as empresas, chefes e colegas homens ou mulheres, pararem com todo esse policiamento às grávidas e reverem seus conceitos. Lembro-me de uma antiga propaganda da Fiat que trazia esse apelo como uma tentativa de mudar a imagem da marca, ainda contaminada por uma visão ultrapassada da mesma.  Acho que esse “mote” da Fiat se encaixa muito bem para o tema que trouxe hoje para discutirmos. Vamos juntos lutar para mudar os atuais conceitos que seguem estereotipando as grávidas e revisar a identidade social da mulher-profissional-grávida?  Afinal, gravidez não é doença e a medicina ainda não provou que a mudança hormonal comprometa a competência de alguém!

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