Colunistas

Equilibrismo On e Off

Em seu texto, Cecília Troiano fala como conciliar as ferramentas tecnologias com um estilo de vida calmo e tranquilo

A tecnologia é hoje peça fundamental de nossas histórias como mães. Bem me lembro quando fui mãe de Beatriz e Gabriel, antes da internet existir. Hoje me pergunto: como consegui? O movimento feminismo expandiu os limites das mulheres, mas a internet, email, telefonia móvel, notebooks, Ipads e afins nos colocaram num mundo ainda mais sem fronteiras. Offline e online são uma coisa só e hoje estamos em todos os lugares ao mesmo tempo. Trabalhamos de casa, em esquema home office e cuidamos de assuntos domésticos, mesmo que por What’s App, quando estamos no trabalho. Somos equilibristas sem fronteiras na era digital, com um acesso infinito e 24 horas à informação. A vida digital re-significou o sentido do multitasking. Hoje, somos multi de verdade e equilibramos muitos pratinhos.

Pesquisamos doenças de nossos filhos via Google e enviamos email para clientes enquanto estamos nos exercitando na esteira. Enviamos mensagem de texto para babás perguntando se filho comeu bem. Aguardamos nossos filhos na aula de natação enquanto checamos emails, preparamos orçamentos ou falamos com clientes. Parte do meu segundo livro foi escrito em salas de espera de médicos e enquanto meu filho cortava o cabelo, tudo feito via notebook e salvo nas nuvens.

Aliás, as nuvens tiveram um upgrade recentemente e elevaram seu status, indo muito além de seu sentido original de vapor da água. O sentido de dia útil também ganhou novos ares. Na vida digital, todos os segundos são úteis para uma equlibrista. Gravamos programas na TV para não perder o último episódio de uma série, reservamos a entrada do filme usando o aplicativo do cinema e organizamos a agenda dos filhos via Google Calendar. Marcamos encontro com amigas via Facebook e confirmamos a reunião com o cliente pelo Hangout.

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FECHAR

A contrapartida de tudo isso é a sensação que temos de que a vida de equilibrista é elástica e que sempre dá para achar uma saída. Em parte, é verdade. Fazemos coisas que nos parecem impossíveis e ficamos nos sentindo poderosas com cada conquista. Acreditamos sempre que vai dar tempo, vai dar certo, sempre há um jeito, por internet, telefone, pelas nuvens… Afinal, o mundo digital não tem fronteiras, certo

Falta apenas um detalhe neste quebra-cabeças, uma peça que muitas vezes acabamos nos esquecendo nessa maratona digital. Nós, humanos, mães e pais, temos limites. Precisamos ficar off algumas vezes e não alimentarmos a ilusão que podemos ficar on o tempo todo. Se hoje podemos ter a liberdade que queremos, precisamos estar atentos para não ficarmos escravos da tecnologia, deixando-a ditar o ritmo de nossas vidas. O bom da vida digital é saber usar, com sabedoria, o on e off. É poder curtir uma praia, ouvir o mar e deixar o celular no criado-mudo, longe de nós por algumas horas que sejam. É sair numa sexta do trabalho e ligar o computador apenas na segunda pela manhã.

É resistir a tentação de ver todos os updates do Facebook e estar cara a cara com os amigos. É lembrar que existe vida além do on, coisa que muitas vezes esquecemos. E num outro momento, acelerar no on, nos lambuzando com todos os gadgets e possibilidades que Steve Jobs, Bill Gates e outros iluminados criaram. É poder curtir a vida, se conectando com as pessoas, no on e no off, no high-tech virtual ou no high-touch olho no olho. É lembrar que a vida digital não matou o colorido da vida off e que a beleza da vida de equilibrista está na inteligente combinação de ambos, on e off, cada um a seu tempo, cada um no seu ritmo.. 

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