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Educar: trazer à tona um tesouro

Fui convidada para escrever sobre educação de nossos filhos nos tempos atuais; como sempre, ela continua sendo algo que vem de dentro...

Recentemente fui convidada a escrever um texto sobre Educação. Agora, fim de ano, alguns filhos já passaram de ano, outros ainda batalham nos últimos e sofridos dias de prova, outros ainda não têm idade e nem sequer percebem a aproximação do fim do ano letivo. Passada a alegria do convite, vem aquele frio na barriga: “eu, falar sobre Educação?”. Respiro fundo, recupero o fôlego, penso um pouco mais. Revejo minha opinião. Acho que começo a ver um lado bom nesse desafio. Terei mais uma chance para refletir sobre esse tema tão complexo. Hoje já faz 20 anos que fui mãe pela primeira vez. Mesmo assim, me vejo algumas vezes como uma mãe de recém-nascido. O que faço agora?

Passado o susto do convite para escrever aqui, resolvo começar do começo. Que tal, como diziam nossos professores quando não sabíamos ou tínhamos dúvidas em relação a uma palavra, “pesquisar no dicionário”? Em tempos de tecnologia, pesquisei no dicionário, mas também recorri ao Google. Aliás, educar em tempos de internet, nos traz oportunidades, e ainda mais desafios. De imediato, vejo claramente as duas dimensões da Educação. A primeira, relacionada à educação formal, aquela que se aprende prioritariamente na escola, que vem de fora, do conhecimento apreendido. Mas é a segunda dimensão da educação que mais me encanta e tem a ver com a origem da palavra “educar”. Ela vem do latim, “educare” e se relaciona aos valores humanos. Educare é:

“Trazer à tona o que está dentro”

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Valores humanos são latentes em todas as pessoas e não podem ser adquiridos em livros. Eles não vêm de fora. Eles precisam ser despertados de “dentro”. Educar significa trazer à tona esses valores. Aí reside nosso papel de pais e educadores: despertar valores em nossos filhos.  Posto assim, até parece uma tarefa simples, mas os pais que estão lendo este artigo concordarão comigo que a simplicidade passa longe da educação. Concordam?

Tudo isso ganha cores ainda mais vibrantes na geração que viverá seu esplendor no século XXI. Meninos e meninas que nasceram num mundo 100% conectado e cujas fronteiras entre Brasil e o outro lado do mundo são separadas apenas por um clique. Vivendo neste mundo globalizado e hiperacelerado, não percebo nossos filhos como melhores ou piores do que a nossa geração. São certamente diferentes e exigem de nós, como resposta, um padrão de ação distinto do adotado por nossos pais. Nossos filhos provocam o pensamento sobre nossa própria vida e como podemos ser melhores educadores de nossos filhos. Ou, retomando a etimologia da palavra, como podemos trazer à tona os valores humanos que estão dentro dos nossos filhos, prontos para desabrochar.

Com isso em mente, me propus a fazer uma reflexão e propor algumas dicas que podem ser úteis para gerenciar melhor nosso papel de educadores de nossos filhos. Acho a tarefa de dar conselhos das mais ingratas, pois as variações de pais e de filhos são infinitas.  Mas antes de dividir com vocês o que pensei, queria deixar um desafio para a próxima semana. O que queremos trazer à tona na educação de nossos filhos?

Fica a provocação e continuamos o papo na semana que vem!

 

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