Colunistas

A mãe da poltrona 4C

Quantas vezes por dia nós temos nossos corações divididos entre filhos e carreira

Estava numa ponte aérea SP- Rio na semana passada. À minha volta, como sempre acontece, muito mais homens do que mulheres. É incrível como ainda são poucas as mulheres nesse ambiente dos aviões. Mas, o que mais me chamou a atenção nesse dia foi o comportamento de homens e mulheres, dividindo o mesmo espaço. 

Um olhar observador me permitiu ver que ambos faziam quase as mesmas coisas: tiravam um cochilo, liam relatórios, livros ou revistas, conversavam e outros ainda ficavam apenas olhando o tempo passar. 

Mas, o que mais me marcou foi a moça que estava sentada ao meu lado, na poltrona 4C. Ela devia ter uns 30 e poucos anos e claramente estava fazendo uma viagem a trabalho, pela roupa que trajava. Ela lia um livro, como muitos outros passageiros, mas foi o conteúdo de sua leitura que me despertou para essa reflexão que divido com vocês agora. 

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Estiquei o pescoço para tentar enxergar o que ela lia e, com esforço, consegui: “Guia fuja de casa com as crianças”. Era o que eu precisava para que minha cabeça ficasse a mil, pensando na vida daquela mulher. A dúvida era como estava ou onde estava seu coração. Ela sem dúvida fazia uma viagem a trabalho, mas o que mais a prendia naquele momento era estudar possibilidades sobre o que fazer com o filho (ou filha ou ambos, sei lá) em seu tempo de folga. Mais do que se concentrar na reunião que faria ou no trabalho que acabara de fazer, seu coração mirava a família, o afeto, o carinho de mãe. 

Fiquei imaginando quantas vezes por dia, muitas de nós, também vivemos esse mesmo coração dividido. Provavelmente não paramos nossas atividades profissionais para pensar na festa da escola nem interrompemos uma reunião para marcar o dentista da filha. Mas, em doses menores, essa alternância de foco é recorrente para todas as mães que trabalham, umas mais, outras menos. 

Tenho quase certeza absoluta de que essa montanha-russa mental é bem mais feminina do que masculina e que as cabeças e corações dos pais são bem mais mono-temáticos, pelo menos por enquanto. Será difícil encontrar um pai na ponte aérea fazendo a mesma leitura do que minha vizinha de assento, a mãe da poltrona 4C!

 

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