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8 dicas para escavarmos um tesouro!

Nossa colunista escreve sobre como não relaxar na educação dos filhos mesmo trabalhando fora

Na semana passada comecei a discutir o tema da Educação, dizendo que nosso papel é trazer à tona, como educadores, o tesouro que está dentro dos nossos filhos. Assim, me propus a fazer uma reflexão e propor algumas dicas que podem ser úteis para gerenciar melhor nosso papel de educadores de nossos filhos. Acho a tarefa de dar conselhos das mais ingratas, pois as variações de pais e de filhos são infinitas. Mesmo assim, arrisco-me a sugerir aqui algumas dicas, sem achar que são verdades absolutas.

 1.      Não precisamos estar “online” 24 horas!

Dar atenção a nossos filhos não significa estar 100% disponíveis para eles, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não precisamos ficar contabilizando as horas que passamos juntos com eles. O que conta efetivamente é garantir a eles que os pais saem para trabalhar e depois voltam. Precisamos transmitir a segurança do sair e retornar. Eles necessitam dessa certeza, muito mais do que ter os pais colados neles o dia todo.

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 2.      Cada um é cada um!

Quem tem mais de um filho sabe que isso é uma grande verdade. Cada filho se comporta de um jeito e tem demandas específicas. Um fica duas horas por dia com a mãe e se sente totalmente abastecido. Para outro filho, são necessárias 5 horas  diárias e, mesmo assim, ele ainda sente que os pais ficaram “devendo” alguma coisa. Entender a necessidade de cada filho e tentar se adaptar a ela é fundamental. E, se não for possível, ajudá-lo a entender o porquê dessa situação.

 3.      Fale com eles!

Precisamos conversar com nossos filhos muito mais do que temos feito. Falar sobre o dia que passamos, a programação do fim de semana, sobre o filme na TV ou sobre o passarinho que canta na janela. Conte sobre o trabalho, as dificuldades, as coisas boas e sobre o que mais tiver vontade. Filhos e pais precisam desse momento olho no olho. Estamos muitas vezes nos esquecendo desse ritual básico em prol do cumprimento das agendas, das regras e do trabalho.

 4.      Não terceirize seu filho!

É claro que precisamos de apoios para que a vida de equilibrista aconteça. Deixar o filho pequeno com uma babá ou na escolinha é muitas vezes inevitável. Mas aproveite as horas de folga e usufrua-as com eles! Curta os finais de semana com a criança, dispense a babá. Já sei, vai me dizer que isso é cansativo… claro que é, mas, na minha opinião, não tem preço. Se podemos ficar cansados por causa do trabalho, das tarefas da casa, do trânsito, porque não podemos ficar cansados pelos filhos? Eu, particularmente, adoro esse cansaço!

 5.      Não escaparemos de críticas e cobranças

Qualquer que seja nossa ação com nossos filhos, seremos cobrados! Se trabalhamos fora, os filhos se queixam de que “não paramos em casa”. Se nos dedicamos à família, eles acham que “pegamos muito no pé”. Não tem saída. Vale  fazer aquilo que acharmos melhor para nós e o que acreditamos ser melhor para eles, independentemente das críticas. Elas virão de um jeito ou de outro.

 6.      Somos modelos

Mais do que qualquer coisa, estamos construindo modelos para nossos filhos. Cabe a cada um de nós pensar no modelo que queremos passar para eles. A partir disso, é bem mais fácil decidir o que faremos, o  que certamente conta bem mais do que apenas aquilo que falamos.

 7.      Estar junto de verdade!

Nem sempre quando estamos com nossos filhos estamos ali disponíveis para eles de fato. Muitas vezes eles disputam nossa atenção com smartphones, TVs, internet, amigos… Vale aqui mais esta dica: quando estivermos com nossos filhos, vamos nos patrulhar para manter 100% do nosso foco neles. Caso contrário, é uma pseudopresença e estamos enganando a quem? Acho que a nós mesmos.

 8.      O jogo da compensação

Esse talvez seja o jogo mais perigoso que ronda muitos lares hoje em dia. Pais mais ausentes “baixam a guarda” e flexibilizam as regras como forma de compensar algum “déficit” que possam ter com relação a eles. Assim, no caso dos adolescentes, horários de sair e chegar são ampliados, damos muito mais brinquedos para os filhos pequenos do que eles são capazes de absorver, relaxamos na cobrança de limites ou abrimos mão de um controle mais rígido com a alimentação. Tudo isso como forma de compensar a ausência ou até mesmo pelo cansaço de ficar insistindo nas regras. É um jogo arriscado e sem ganhadores. Vale toda a nossa atenção!

Reli dezenas de vezes essas 8 dicas e, a cada releitura, me convencia ainda mais de que a tarefa de educar nossos filhos no mundo em que vivemos é mesmo muito difícil. Certamente ainda vamos errar bastante para achar o ponto ideal. Tentar “gabaritar” nessas 8 dicas talvez seja uma missão impossível. Mas acredito que devemos tê-las como metas. Colocá-las em letras garrafais pregadas na geladeira é um bom começo. Se pregamos na geladeira tantos bilhetes mais inúteis, valeria a pena ter também um ímã de geladeira com essas dicas, por que não? Afinal, somos os responsáveis por trazer à tona o tesouro que está dentro dos nossos filhos.

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