Colunistas

O mar e o menino

Na semana de Iemanjá, a colunista Tati Schunck fala do dia em que o filho conheceu o mar

No primeiro dia não queria colocar os pés na areia. Na água, só com acompanhantes que o seguravam quando a onda viesse.

No segundo dia, encontramos uma praia de areia firme que fez com que o menino achasse que aquilo tudo era seu quintal. Correu, dançou, rolou, meditou, bateu a pá em cada extremo de distância e, no limite, chamou aquela areia de sua.

Depois, descobriu-se em movimento com as ondas do mar e criou música para conversar com elas.

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No terceiro dia, correu solto e pelado sem medo nenhum e se lançou no mar. Não precisou de mais ninguém, achou que podia ir só e se entender com as águas. Eu acompanhava que nem sombra. E desejava que Iemanjá lavasse sua alma e que o devolvesse mais maduro.

E foi isso mesmo, o mar o amadureceu. Os pés maiores, o coração enorme e o olhar para o céu. Olhou mais longe.

Nas noites, dormia numas, e noutras sonhava e dizia: o mar, o mar, o mar… 

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