Colunistas

De quando uma criança escreve

Muitas vezes a criança entende mais do que um adulto, e a colunista Tati Schunck conta como isso aconteceu com ela

Outro dia recebi em nossa casa amigos que são parte da família. Não são amigos comuns. São daquele tipo de gente que te formou no seu percurso de personalidade. Eram: um pai, uma mãe, uma menina e um menino.

A Clara é mais profunda do que sereia misteriosa. Ela é capaz de ir fundo num sentimento, mas volta à superfície com todo humor e sarcasmo possíveis. E é lindo. Demais.

Depois tem o João que ainda estou a conhecer. É menino forte com voz aveludada que você derrete de ouvir. Um charme. Paixão. Mas a Clara, já a conheço de longa data, data que nosso calendário não anota.

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Hoje, só queria contar da emoção que vivi. E que a sinto enquanto escrevo. Clara me deu palavras, dei-lhe de volta. Clara me deu imagens, dei-lhe de volta. Clara me deu sonhos, dei-lhe de volta. Ela escreveu um pequeno livro e me deu de presente: Poesias fantásticas e historinhas. Uma das histórias é assim:

Dois castelos:

Dois castelos se encontraram. Então se abraçaram. Mas como dois castelos se abraçam? É só dar um passo!

Nós duas: Clara e eu, em passos de aproximação, estamos em exercício da escrita. É um mistério esse lugar da possibilidade de inventar histórias e elas existirem tão de verdade para um ser criança. E ela não larga as suas invenções, as carrega e as coloca debaixo do travesseiro para continuar com elas, de noite, em sonho. E quando acorda, me conta como a história continuou durante a noite. E como nós escrevemos nossa história é de uma qualidade de presença, que dá vontade de chorar de entusiasmo. Daí Clara inventou um toque de mãos. O toque das escritoras. Toca aqui!

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