Colunistas

Papai de patinete

Com o nascimento dos filhos e a maturidade, o colunista Ike Levy tomou uma decisão: trocou a moto pela bicicleta e as mochilas pelo canguru

Faz uns vinte anos que ando de moto e nunca me acidentei. Ainda bem!

Outro dia a Nina ganhou um patinete e eu não aguentei, fui correndo comprar um pra mim. Ela ficou super feliz ao saber que o papai moderno iria acompanhá-la nas aventuras em duas rodas. Primeiro ela andou comigo pra pegar o jeito. Sim, vinha no meu e saíamos os dois por aí. Depois, ela se sentiu segura e deu um show de equilíbrio no dela.

Fizemos um acordo: pra andar de patinete, tem que usar capacete e joelheiras. Ela concordou e seguimos assim.

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Outro dia fomos a um parque perto de casa e nos divertimos muito. Férias, dia lindo! Papai, mamãe e os dois filhos. Cenário perfeito!

Nesse parque existe uma rua que sobe por um lado e desce pelo outro. Enquanto eu subia, ela já se preparava para descer. E, no final da descida, tem uma curva para a esquerda. Gritei:

– Nina, me espere pra descer!

Mas ela não ouviu e se mandou descida a baixo. Gelei! Acelerei pra alcançá-la, preocupado com a curva. Não cheguei a tempo, mas vi que ela fez a curva direitinho. Ufa!!! Quando percebi, eu estava correndo muito na tentativa de salvar a princesa e… POW! Rolei pelo asfalto e tratei de levantar o mais rápido possível, todo sem graça.

A Lu, que assistiu ao tombão, veio correndo em minha direção. A Nina, que viu a mãe correndo, veio também e fez a pergunta quando viu sangue no meu joelho.

– Pai, você vai chorar?

Tadinha, ela ficou super preocupada.

– Não, filha, não vou chorar. Pode ficar tranquila.

Antes de qualquer coisa, fotografei o joelho e três dedos da mão direita com os ferimentos. Até agora não entendi o motivo das fotos, deve ser mania de fotógrafo em documentar tudo.

Passei duas semanas de bermuda. Mesmo no frio em uma viagem que fizemos a Campos do Jordão, lá estava eu de bermuda. Encarei até uma patinação no gelo com ela. Sim, de bermuda.

– Mas, pai, seu joelho está assim, melhor você não patinar.

– Relaxa filha, se eu cair, o gelo vai fazer bem pro joelho do papai. 😉

Hoje estou feliz. Tive uma reunião importante e consegui usar calça.

Agora vou falar do Tony. Com dois filhos, nada mais justo do que dividir o texto.

O cara está com seis meses e cada dia mais lindo!

Tava aqui pensando. Vivemos a era da tecnologia e crianças totalmente conectadas. Mas em minha opinião, uma das invenções mais incríveis é sem dúvida o tal do canguru para levar os filhos.

Acredito que seja a evolução de uma invenção indígena. Acho o máximo carregar meu filho coladinho em mim. Se para o pai é bom, imagino como deve ser a sensação para as mães. Quando o filho cresce um pouco, podemos virá-lo de frente para o mundo. Me emociono em poder mostrar ao meu filho o meu ponto de vista da vida, saber que muito em breve ele irá escolher e percorrer os caminhos pelas próprias pernas.

Com o nascimento dos filhos e a maturidade, tomei uma decisão: troquei a moto pela bicicleta e as mochilas pelo canguru.

Com a bicicleta, nos conectamos com o silêncio e a natureza, e o canguru é a única mochila capaz de carregar o que temos de mais importante na vida.

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