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Um tchau com o coração apertado

O fim das férias traz um alívio para as mães. E também um misto de sentimentos de saudade, de solidão e de constatação de que eles crescem

Seria hipocrisia da minha parte se eu não falasse que desejei o fim das férias escolares. Eu e o meu mais velho, que não via a hora de reencontrar os amigos e estrear o material escolar novinho. A gente quer estar junto, quer perto, quer passar o dia todo grudado. Mas depois do trigésimo “ma-mãaaae”, antes mesmo da hora do almoço, a gente reza para o amiguinho interfonar e eles saírem para jogar bola.

A convivência, em qualquer relação, cansa. Mas a gente se acostuma com ela e, quando perde, sente falta.

Relação entre mãe e filho é igual.

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Hoje é o segundo dia de aula, e eu estou como uma barata tonta em casa, sem saber o que arrumar, o que comer ou o que fazer. Sim, eu trabalho fora, mas hoje foi um dia de home office para resolver as miudezas que eu jurei que colocaria em dia nas férias. Doce engano, e a lição número 1:

Não planeje nada para as férias que não inclua as crianças. Faxina no depósito, arrumação dos armários, estudar, ler muitos livros… Com eles em casa, não rola.

Troque tudo por brincar, brincar e brincar. E ler junto, ir ao cinema e passear. Deixe as tarefas off kids para depois da volta às aulas.

Mas o fato é que fiquei em casa sozinha e me perdi no tempo. O coração apertou de saudade e eu quis arrumar uma desculpa para aparecer na escola no meio da tarde. Até o pequeno estreou uniforme, mochila e lancheira, ficou em pé e quase andando e nem deu bola pra mãe.

Eles crescem e criam asas. “A gente cria o filho para o mundo”, já dizia a minha mãe. E um dia após completar um ano, o mais novo parece querer descobrir que mundo é esse que o espera. Abre o sorriso quando escuta o tilintar da chave e já sabe que vai pra rua.

É belo e assustador. Por um momento, o nosso coração egoísta de mãe quer os filhos debaixo das asas para sempre. Então essa independência dói. Passado o espanto, a gente morre de orgulho por eles estarem crescendo, aparecendo e se descobrindo.

E a mãe, que é bicho estranho, passa dois meses esperando a volta da rotina em casa e, quando tem direito a isso, não sabe o que fazer.

Eu? Eu esperei ansiosamente pelo fim do dia para saber tudo sobre aquele emocionante recomeço. O recomeço de uma nova rotina, de uma nova etapa. De um segundo ano e um maternal 1. E de uma mãe que voltará ao trabalho com a certeza de que os filhos estão felizes por se tornarem mais crescidinhos!

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