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Seis anos de muito companheirismo

A colunista Nanna Pretto conta que, após o nascimento do primeiro filho, nunca mais se sentiu sozinha

Há seis anos ele nasceu. Numa sexta-feira fria de junho, no meio da tarde, numa das avenidas mais importantes de SP. Mais paulistinha impossível para contrariar o sangue baiano da mãe. Há seis anos Gabriel transformou a minha vida. Virou uma parte de cabeça para baixo, me fez rever absolutamente todas as prioridades, se encaixou perfeitamente bem na minha (na nossa, aliás) vida e preencheu todo e qualquer espaço em branco dela. Há seis anos somos cúmplices e companheiros e, desde então, eu não me sinto mais sozinha. 

Essa sensação de preenchimento é algo indescritível. É algo muito diferente do amor pelo namorado, marido ou amigo. É algo visceral, instintivo, carnal, eu diria. É amor incondicional, mas mais do que isso, é uma sensação de que eu nunca mais vou andar sozinha. 

Isso ficou muito claro para mim há uns anos, quando eu e o marido tivemos uma crise e ficamos alguns meses afastados. CLARO que você sente falta, claro que dói, claro que dá saudade e que abre um buraco no coração da gente. Mas estar com Gabriel me confortava de tal forma que, pela primeira vez, eu entendi o que é o amor por uma pessoa e o que é a carência, o desespero e o medo de ficar sozinha. 

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Depois de ter filho, esses sentimentos ficaram muito claros para mim. Estar casada envolve muita coisa, principalmente um amor gigantesco. Mas nunca mais essa sensação de estar tapando buracos a qualquer custo. 

E há seis anos nós temos uma relação deliciosamente amorosa. Nos entendemos pelo olhar, pelo toque, pelo beijo. Uma palavra basta. Às vezes nem é preciso dela. Ele me faz companhia em tardes chuvosas, quando ficamos horas vendo filmes juntos. Saímos para jantar a dois e não paramos um só momento de conversar. É com ele que eu aumento o som do carro e cantarolo estranhamente as músicas em inglês. Ou inventamos rimas engraçadas quando a música é chata. É ele que me tira do sério na mesma velocidade que me emociona, quando derrama uma lágrima “por emoção” ao fim de um filme ou um texto.  É ele que me encanta com a sua inteligência e ousadia em querer aprender, descobrir, entender. Ele não faz nada por fazer. Gabriel precisa dar sentido para tudo na vida. 

E ele, meu filhote, está fazendo apenas seis anos. Mas já toca o coração dessa mãe chorona como se a gente convivesse há 60. Filho, eu tenho um orgulho danado de você! Parabéns pelos seus seis anos de alegria!  

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