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Preparando a fonte!

Nossa colunista Nanna Pretto conta como amamentou, apesar de a anatomia da mama ter dificultado um pouco o processo, e fala de como preparar o peito a partir do último trimestre da gestação

Tirem os meninos da sala! O papo essa semana é de mulherzinha e sobre o preparo do peito para a amamentação. Assunto delicado para muitas mães, pois nem todas encontram tanta facilidade para dar de mamar  assim que o neném nasce. E, como cada mulher tem uma formação mamária diferente, cada caso é um caso. MESMO! Por isso é essencial conversar com o médico e recorrer a um especialista em amamentação (praticamente todos os hospitais têm um!). Porque dar o leite materno com exclusividade nos primeiros seis meses de vida do bebê é essencial para o seu crescimento saudável, além de manter a amamentação por 2 anos ou mais.

Já contei várias vezes que amamentei meu primeiro filho por oito meses com bico de silicone, um acessório que é colocado sobre o bico e facilita a pegada do bebê. Isso foi necessário porque tenho o bico do peito invertido, o que impossibilita a pega pela boquinha pequena do bebê. Apesar do receio das enfermeiras na maternidade, eu já tinha pesquisado muito e conversado bastante sobre a possível dificuldade em amamentar que eu poderia ter. Então já fui preparada para o caso de o Gabriel não pegar o peito. E foi o que aconteceu.

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Agora, na 33a semana de gestação, eu começo novamente o preparo do bico do peito. Ele está um pouquinho mais protuberante agora, depois que passei por uma reconstrução mamária, mas ainda bem longe de ser um grande bico de peito. Com orientação da minha ginecologista e obstetra, Luciana Taliberti, que fará o parto do meu bebê, faço alguns exercícios diários que ajudam a formar um bico de peito um pouco maior.

Na avaliação da enfermeira Márcia Regina da Silva, responsável pelo Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno do Hospital e Maternidade São Luiz, a avaliação do médico é fundamental para o trabalho de preparação do bico do peito. Se for um bico verdadeiramente invertido, por exemplo, os exercícios não terão nenhuma função, explica. Ou seja, pode ser apenas que o seu bico seja pequeno ou plano e que exija um pouco mais de trabalho na fase inicial de alimentação do seu bebê. Não é todo bebê que pega o bico do peito direitinho. E isso não tem necessariamente a ver com a facilidade anatômica da mama. Tem bebê que possui essa dificuldade independentemente da formação ou do tamanho do bico da mãe.

Márcia explica que o importante é que o mamilo funcione como um ponto de apoio (tanto o proeminente quanto o plano ou o invertido). O bebê precisa abocanhar a aréola, não necessariamente o bico, diz a enfermeira.

Luciana explica que ter o acompanhamento das enfermeiras especialistas em amamentação nos primeiros dias, ainda no hospital, e depois, no pós-parto, é muito bom para a mãe ter confiança e conseguir amamentar bem. Ela mesma recorreu a uma enfermeira, carinhosamente apelidada de personalmilk, para amamentar seus dois filhos.

Eu não sei se terei uma personalmilk, mas, assim como com o primeiro filho, farei de tudo para amamentá-lo sem o bico de silicone. Se não conseguir, seja lá por qual motivo, lançarei mão, sem culpa, do artifício que tanto me ajudou a amamentar meu primeiro filho por tantos meses.

O que fazer para estimular a formação do bico do peito (sempre com o aval do seu pediatra)

      Uso de concha formadora de bico, que deve ter base rígida e furo pequeno. Deve ser usada durante o dia no último trimestre da gestação.

      Massagens com os dedos nos mamilos e aréola, durante o banho, movimentando para cima e para baixo, de forma que o bico do peito venha para fora da pele.

      A Lansinoh tem um corretor de mamilos chamado Latch Assist, à venda em farmácias e lojas de puericultura. É uma espécie de ventosa que puxa o mamilo para fora e é indicado para o preparo do peito minutos antes da amamentação. Vale conversar com o médico para saber se ele pode ser usado no preparo da mama durante a gestação.


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