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O que fazer com o filho?

A colunista Nanna Pretto conta que, no fim da licença-maternidade, é complicado escolher entre ter alguém para cuidar do filho ou deixá-lo num berçário

Rafael está com dois meses e, aos poucos, eu já voltei a trabalhar. Saio para uma reunião, pego alguns projetos para fazer em casa e, assim, vou retomando a rotina profissional. Mas daqui a dois, três meses a coisa mudará de figura: precisarei oficialmente sair de casa por pelo menos seis horas. No mês que estamos debatendo justamente esse assunto no “Culpa, não!”, eu me deparo com essa questão: o que fazer com o filho? Deixá-lo tão pequenininho num berçário ou contratar uma pessoa para cuidar dele aqui em casa? Porque, sem culpa, eu terei que delegar o cuidado do meu pequeno a uma outra pessoa.

A dúvida me assombra e não sai do meu pensamento. Ao mesmo tempo que acho ele miúdo demais para entregar numa escolinha, deixá-lo sozinho com uma pessoa desconhecida na minha casa não me soa bem. Além disso, tem a questão do custo. Achar uma boa profissional para cuidar unicamente do bebê, hoje em dia, custa até o dobro da mensalidade de um berçário.

Se, na escolinha, ele está cercado de profissionais, com pessoas que estudaram e têm mais experiência para cuidar de crianças, ele também está mais exposto às doenças. Em casa, fica mais protegido dos vírus, mas está com apenas uma pessoa, que não é monitorada, nem observada diariamente. Ela pode, digamos, fazer o que bem entender no período em que está sozinha com a criança, que não terá ninguém para observá-la. Deus me livre!!!

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Pensei em contratar uma pessoa e deixar na casa da minha sogra. Mas aí a minha sogra faria o papel de babá da babá, e isso não é legal. Também não acho justo deixar o meu filho sob o cuidado diário da avó, pois ela é avó e não babá. Um dia ou outro, como está acontecendo agora, tudo bem. Mas a partir do momento que eu tiver que sair de casa todos os dias, eu não acho justo que a rotina dela passe a ser cuidar diariamente de uma criança. Como ficariam os cursos de culinária ou as aulas de hidroginástica e pilates da sogrinha? Não dá…

Não me sinto culpada em deixar meu filho com alguém, o problema não é esse. Com o mais velho, tive a sorte de ter uma pessoa que eu confiava muito trabalhando na minha casa. Assim, consegui adiar a ida de Gabriel para a escola até ele ter um ano e dois meses. E, quatro meses após o parto, eu voltei a trabalhar. Ser dona de casa não é o meu perfil. Eu preciso trabalhar fora, não quero abrir mão da minha independência financeira, não quero ficar o dia inteiro trancada em casa e sem ver gente, sem ter a minha vida profissional. Isso já foi debatido aqui em casa e meu marido concorda. E me quer na rua, no bom sentido, é claro.

Agora, com o segundo filho, apesar de eu morar na rua da minha sogra, isso não me dá o direito de delegar a ela o cuidado diário do meu bebê. A ida para a escolinha precocemente será inevitável. A dúvida é se será aos seis meses ou com um ano de vida de Rafael. Começarei a fazer as pesquisas das escolinhas do bairro, ao mesmo tempo que vou entrevistar algumas babás. Seja qual for a escolha, ela vai priorizar a segurança e o conforto do meu filhote, ainda tão pequenininho. Só resta saber se o coração da mãe vai sair de casa em paz…

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