Colunistas

O dia que eu corri das desculpas

Deixar o papel de mãe de lado por 40 minutos não causou nenhum problema. Muito pelo contrário, fez muito bem para a colunista Nanna Pretto

Faz 45 dias que eu tive meu segundo filho e minha vida ainda está de pernas pro ar. Não tenho rotina, escrevo esse texto usando pijamas, minha roupa cheira a leite, fico acordada na madrugada e sobrevivo de pequenos cochilos durante o dia. Como diz o meme materno: não tá fácil pra ninguém! Mas nada disso foi motivo para eu recusar o convite da minha (amada) amiga Pati, do @comerparacrescer, e de mais quatro amigas e mães blogueiras e me jogar na corrida WRun do último domingo. Uma volta aos treinos de primeira, com direito a fofoquinha pós prova, muitas fotos no Instagram e incentivo de muita gente! 

Então resolvi fazer esse post para, quem sabe, tirar mais uma mãe do sofá! Não é fácil, confesso. Pra sair de casa às seis da manhã, minha logística começou às 5. Dei leite ao Rafa antes do horário e deixei as próximas mamadas organizadas. Troquei fralda e coloquei pra dormir novamente, mas claro que ele não pegou no sono. Tomei uma rápida chuveirada e acordei o marido para que, a partir daquele horário, ele assumisse. Era 5h50. Saí de casa comendo o café da manhã. 

Voltar a correr não é fácil. O percurso era bem pequeno (4 km) perto das provas de 21 km que eu estou acostumada a fazer. E eu andei muitas vezes, senti um desconforto horrível na postura da corrida. Mas senti também que despertei meus músculos do longo descanso e a endorfina, que estava aqui escondidinha há uns bons meses. Cruzei a linha de chegada e me emocionei como se tivesse concluído a São Silvestre. Quando já estava recuperada, encontrei as amigas, que estavam super felizes por eu ter conseguido voltar às provas com apenas 45 dias de parida. 

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FECHAR

Foi gratificante esse retorno. Tê-las por perto fez toda a diferença. Porque ali todo mundo é mãe como eu e todo mundo deixou as crias em casa, com os maridos segurando a onda, para dar essa escapulidinha dominical. Tirando o fato que eu sou a recém parida da turma, todo mundo ali é igual. Nem mais nem menos. E todo mundo arrumou um tempo na agenda para praticar atividade física. Mesmo que seja no domingo, 7 horas da manhã. 

O que eu quero dizer com isso? Que é possível. E não só é possível como é necessário, pois esse momento faz um bem danado pra gente (pro corpo, pra alma, pra cabeça…). Mostra que, sim, temos vida além das fraldas sujas, brinquedos no chão, louça pra lavar, marido e filhos para cuidar. Que sim, podemos pensar na gente um pouquinho e isso não tira pedaço de ninguém. E que, além de tudo, merecemos esse momento só de menininhas. 

A vida em casa correu absolutamente bem na minha ausência. E na casa de todas as minhas amigas-blogueiras-corredoras também. Pelo menos ninguém chorou as pitangas no mundo virtual no pós prova. Meus três meninos estavam alimentados, limpos e descansados, não encontrei ninguém descabelado ou com sintomas de desidratação. Assim que me viu, o filho mais velho pediu a medalha da onça, o pai esboçou uma carinha de “ufa, ela está voltando a se cuidar” e o mais novo não fez nada, como era de se esperar. Parece, inclusive, que nem sentiu a ausência da mãe durante a sua mamada de café da manhã. O Fantasma da Culpa Materna não assombrou a minha casa naquele domingo de manhã! 

Isso prova que sair do controle por 40 minutos não mata ninguém e faz um bem danado pro nosso ego. Prova que podemos deixar de lado essa desculpa de que na agenda da mãe não cabe mais nada e incluir uns minutos de exercício físico. Prova que, organizando, tudo dá certo e que o resultado é compensador. E, acima de tudo, que também somos gente e que merecemos um momento só nosso. 

Precisei do empurrão de cinco amigas queridas para voltar a correr. Fiz uma prova difícil, mas tive um café da manhã compensador. Descobri que “média” em São Paulo é café com leite, que o pão na chapa pode vir atropelado, que teve gente que passou o Carnaval imune ao Lepo Lepo e que a personalidade das pessoas é definida pelas hashtags que elas usam. Em meio a muitas risadas, constatei que as mães sempre colocam muitas dificuldades para fazer as coisas, enquanto os pais dão conta de tudo sem fazer um décimo do nosso drama. E (re)lembrei de como é bom correr no domingo de manhã!

#wrun #lepolepo #biafra #voarvoar #feliz #quemtemamigatemtudo #hashtagdiversao #culpanao #maededois

Na foto: As mães blogueiras na Wrun: Patrícia, mãe de Samuel e Miguel; Nanna, mãe de Rafael e Gabriel; Priscilla, mãe de Lia e Stella; Fabiana, mãe de Joaquim; Milene, mãe de Nicolas e Lorena e Helena, mãe de Isabela e Otávio

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