Colunistas

Longe dos meus amores

Viajar a trabalho sem a família é um misto de reconhecimento – do lado profissional – e de desapego – do lado emocional

Quando eu voltei a trabalhar, morri de saudade do meu filho bebê. Contei aqui e lá no blog como foram difíceis os primeiros dias em que eu ficava até seis, oito horas longe do meu bichinho. Mas contei também que eu estava precisando sair de casa. Que precisava voltar ao trabalho, ao ritmo louco de fechamento de matérias, ao atendimento das contas de que eu cuido e à academia na hora do almoço. E que mãe que trabalha fora, e tem amor ao que faz, sente falta, sim, quando fica longe do trabalho.

E voltar a trabalhar restabeleceu a nossa rotina – que estava uma zona. Meninos na escola, mãe produzindo, pai pegando os meninos no fim do dia, assuntos diversos no jantar e fim de semana cheio de compromissos, que é quando dá pra fazer as coisas. E eu gosto disso.

Esta semana eu escrevo este texto de Fortaleza. Após sete meses que Rafael nasceu, a minha primeira viagem a trabalho (e cinco dias longe deles) é um misto de reconhecimento, euforia e saudade. Reconhecimento porque, pô, é o meu trabalho, aquilo que eu faço bem e de repente existem pessoas que o estão notando. Euforia porque estou saindo de casa por uma semana. Terei uma cama de casal só pra mim, um banho looongo, café da manhã sem respingos de leite. Sairei pontualmente, vejam só, e sem amarrotar a roupa!

Anúncio

FECHAR

E como o marido vai lidar com os dois? Será que vai dar os remédios certinho? E os banhos? A lição, a papinha? Ahhh claro que vai, não tenho a menor dúvida de que tirará de letra como sempre (até porque nós, mães, sempre enxergamos o problema bemmm maior do que ele realmente é. E com uma pitada de drama!).

E a saudade, bem, é pelo óbvio. Estou acostumada em ter os filhos grudadinhos todos esses meses, em não dormir uma única noite longe, acordar na madrugada só para ter certeza de que está tudo bem. Em ver aquela deliciosa risada banguela matinal! Em fazer um bololô na cama e ficar ali, com o desenho, as gracinhas e as mamadas. Saudade dos meus três amores.

E sabe o que é o mais engraçado? Em momentos de surto materno você grita: “Não aguento mais!” “Vou sumir e vocês vão ver só!” “Preciso de paz, de um tempo só para mim!” “Não aguento mais!”

E aí você tem o tal tempo. E não sabe o que fazer com ele.

Dorme ESPARRAMADA pela cama, mas acorda assustada, no cantinho da mesma, apalpando o travesseiro como se fosse acalmar um chorinho.

Já de manhã, toma UM LONGO BANHO (mas de porta aberta para conseguir escutar algum barulho).

Liga UMA MUSIQUINHA em vez da tevê (mas pensa na programação do canal infantil).

Escolhe sua roupa TRANQUILAMENTE, MAQUIA-SE no banheiro (e não no carro).

SECA o cabelo e sai para trabalhar apenas com a bolsa, e é como se metade do seu corpo tivesse ficado dentro de casa.

E, no silêncio do elevador, você consegue se OLHAR NO ESPELHO e checar se a roupa combinou. E eis que, ao se ver, constata: por mais que as férias da família seja delícia, você não vê a hora de voltar para a bagunça da SUA casa!

Vai entender cabeça de mãe…

Pais&Filhos TV