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Eu vou, sim, sair para trabalhar

O meu pequeno entrou na fase da birra sempre que fica na escola para eu ir trabalhar. Não olho para trás. Sei que ele está bem, e eu, certa de que essa é minha melhor escolha

Coluna vou trabalhar sim

Esses dias rolou uma pesquisa na rede de que mães que trabalham fora incentivam as filhas a ser bem-sucedidas (publicamos aqui!) e os meninos a serem mais independentes e ajudar em casa. Acho relevante e digo mais: não tenho a menor culpa de sair para trabalhar, sinto um orgulho danado quando pago as contas em casa, amo a minha liberdade financeira e sei que meus filhos entendem – ou entenderão – que isso me faz bem e, logo, fará bem a eles também.

Gabriel já respeita o meu trabalho. Quando estou de portas fechadas no nosso escritório de casa, ele conversa com a mamãe somente o indispensável. Se saio para trabalhar, ir a um evento, se chego tarde à noite ou viajo a trabalho, ele entende, mesmo que às vezes fique triste. Ele, desde pequeno, aprendeu a se virar, ser independente, arrumar as coisas da escola (a mamãe não pode perder a hora para sair), ter a noção de dinheiro (e que dinheiro custa ganhar – muito frase de mãe!) e do resultado do trabalho (no caso dele, convertido em figurinhas, viagens, chuteiras e escolinha de futebol).

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Isso não faz bem? Isso não mostra a ele a real vida que temos? Eu acho que sim.

Rafael entrou na fase da birra. Faz um escândalo quando eu saio para trabalhar. Sei que é birra porque, muitas vezes, eu mal bati a porta e já escuto as gargalhadas do lado de dentro de casa ou da escola. Sei que é birra porque ele está muito bem assistido. E, assim como o mais velho, reconhecerá mais para frente esses benefícios.

E eu? Estou realizada profissionalmente, tenho um trabalho flexível, faço home office pelo menos uma vez por semana, concilio a minha agenda para ter tempo para os meninos (no meu caso, trabalho no escritório das 12 às 19 horas), para ter a manhã com eles, sem deixar de passar o olho no celular. Mas nessas horas em que estou trabalhando, eu ESTOU TRABALHANDO. Muito mais focada e concentrada no que faço.

A empresa em que eu trabalho me permite isso. Essa coluna (que eu escrevo de qualquer lugar) me permite isso, a minha responsabilidade com prazos e metas me permite isso. Esses dias assisti a uma palestra na L’Oréal (e eu só conhecia o lado marca) e vi que eles fizeram um projeto todo especial para as colaboradoras mães, que vai desde a assistência durante a gestação até o pós-parto. Que oferece licença de 6 meses, sala para tirar o leite materno (e armazenar corretamente), incentivos e mais uma série de benefícios para quem vive a vida de mãe, mas não vai deixar a vida profissional de lado.

Achei bárbaro. Talvez as empresas pudessem pensar mais assim, não? Em formas de manter as mulheres felizes em seus postos de trabalho, mesmo depois que elas adquirem essa “nova profissão”. Foi pensando nisso que eu resolvi escrever quase que esse manifesto a favor das mães que trabalham fora. Porque eu amo essa minha vida louca, não deixo de ser “mãe em tempo integral” e não sinto culpa de sair pra lida. Tô sozinha nessa?

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