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Amor de longe, benzinho!

Administrar a saudade da família não é fácil. Mesmo com tantas facilidades virtuais. Tem horas, mesmo, que só o dengo dos pais salva!

Dizem que sogra não deve morar perto da sua casa para ir de pantufas, nem longe para ir de malas. Eu, particularmente não concordo. E nem é porque moro na rua da minha sogra (que, se quiser, chega aqui de pantufas) e longe dos meus pais (que sempre aparecem com malas). É porque saudade dói. E só quem sente, sabe! 

Para mulher grávida, então, que potencializa as emoções ao máximo… a coisa ainda é mais dramática. Chega essa época do ano, que metade da minha família faz aniversário (inclusive eu) e eu estou longe de todos, essa angústia não tem fim. Esses dias, no nosso grupo virtual da família, foi uma chuva de parabéns para uma prima. Hoje, mais um monte para a outra prima. No dia de São Cosme e Damião, teve caruru lá em casa e minha irmã mais nova já me botou inveja, desde cedo, dizendo que ia comer vatapá.

Rafael entra na 21a semana e eu só tenho um lado da família para compartilhar minha gestação. Já foi assim no primeiro filho, está sendo assim no segundo. Chato isso… :’(

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Ok, sempre falamos que a vida é feita de escolhas. Repito esse mantra quase que diariamente para o filho mais velho. E a mamãe aqui escolheu fazer faculdade em SP, deixar a vida na Bahia, ficar longe da família. Profissionalmente, sou extremamente realizada. Também não posso deixar de lembrar que foi Sampa que me reaproximou do amor da minha vida. E claro, que eu amo essa cidade, senão não estaria aqui há 13 anos. Mas, de novo, saudade dói.

E tem coisas que a distância não perdoa. O abraço apertado, o colo da mãe, o dengo do pai; O jantar com as amigas, a brincadeira com os primos. Tem coisas que a internet não resolve. O beijo, o carinho, o tato. Tem muita gente nessa cidade, que, assim como eu, sofre de saudade. E que procura, cada uma a sua maneira, um jeito de minimizar isso.

Eu já contei que a ideia do meu blog Dica de Mãe surgiu por isso, né? Pra levar notícias do filhote para a família baiana. E já contei também que Gabriel tem e-mail, Twitter e Skype para falar com os avós quando quer. É tudo uma questão de adaptação, minha gente! E de conformismo também, que para estar aqui não dá pra estar lá.

Essa semana estava escutando a linda Astrid Fontenelle falando sobre a saudade que sente do marido dela, que é meu amigo e pai do Gabriel, xará do meu filho. Ela tratou esse sentimento com uma maturidade que me emocionou. Porque o que vale, na verdade, é a qualidade do tempo que se passa junto. E não o estar junto por estar. E eu tenho certeza, que eles quando estão juntos aproveitam cem por cento do tempo com as coisas boas, os bate-papos e os carinhos. A burocracia familiar, como ela mesma citou, são tratadas de uma forma mais prática, por e-mail, via Whats App ou numa conversa por telefone. E aí, quando se tá junto, está junto de verdade!

Foi essa filosofia que tomei para mim. Dar qualidade ao meu tempo. Quando estou em Salvador, quero curtir cada minuto do ar, da praia, das amigas e da família. Quero estar cem por cento lá. Talvez, inclusive, que muitas vezes eu prefira ir só, sem marido. Porque só assim eu fico dedicada à minha família. Focada no compromisso (Rsrs).

O resto do tempo, que eu estou aqui e eles lá, a gente administra como pode. Com um olho nas promoções das passagens e o outro na tela do computador, sempre falando ou se vendo.

Agora, que em breve interromperei a ponte aérea SSA-SP, bate a angústia e a ansiedade de ter logo o bebê para curtir um mês de licença maternidade perto da família baiana.  Porque carinho de família não tem igual. E, no fim das contas, é sempre muito bom voltar pra casa!

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