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A um mês do reinício

A colunista Nanna Pretto conta que, no final da gravidez, a insegurança e a expectativa pelo nascimento do bebê falam mais alto

Entramos no último mês da gravidez. A barriga pesa, o humor já não está lá essas coisas, as brigas com o marido tornam-se mais frequentes. A falta de paciência para tudo e para todos dá sinal nos pequenos gestos. Se eu já não tivesse passado por isso, me acharia chata pra caramba. Mas o nome disso é ansiedade. E não importa se é o seu primeiro ou segundo filho. Às vésperas do bebê nascer, a insegurança fala mais alto. 

O meu eu racional grita desesperadamente: calma, tudo vai dar certo. E, no fundo, beeemmm lá no fundo, a gente sabe que vai dar mesmo. Mas o emocional vem falando mais alto nas últimas semanas. Daqui a um mês, a essa hora da noite, terei um chorinho ecoando no ar. “E se eu não conseguir o parto normal? E se não conseguir amamentar? E se esse quarto for quente demais? E se faltar roupinhas? E se…”. 

Enquanto meu primeiro filho se preocupa com a cor dos olhos e dos cabelos, ou a partir de quantos dias ele vai começar a falar, eu penso que gostaria de repetir a nota 10/10 do teste de Apgar de Gabriel. Eu desejo que Rafa nasça saudável, com peso e altura dentro da curva, coração batendo certinho, carinha de anjo e doce, como todo bebê. Entro na madrugada (o sono tem se tornado cada dia pior) pensando se fiz tudo certo, se tem algo que ainda pode ser feito, se está tudo pronto. Somado a tudo isso, já tenho um enorme desejo de carregar esse bebê no colo e chamar de meu filho. E, em seguida, deixar que ele e o irmão comecem, efetivamente, uma linda história de companheirismo e amor. 

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Acho que a minha maior ansiedade é, sem dúvida, a de satisfazer a curiosidade de Gabriel. É apresentá-lo ao irmão, é deixar que eles adquiram esse amor incondicional, fiel e verdadeiro. É ver a alegria nos olhinhos dele se tornar realidade, ao colocar Rafa em seus braços. Acho que mais do que por mim ou pelo pai, o que eu desejo mesmo é ver a felicidade do meu filho mais velho. A forma como ele se aninha na minha barriga antes de pegar no sono, o jeito como ele paparica o irmão em forma de barriga, faz meus olhos encherem de lágrimas, quase todos os dias. Poder oferecer o colo de Gabriel ao Rafael, sem dúvida, será a minha maior realização como mãe. 

Daqui a 4 semanas serei mãe de dois meninos. Terei o chorinho do mais novo e a alegria do mais velho. Começarei tudo novamente. Poderei reviver um dos momentos mais emocionantes da vida e poderei dizer, enfim, que a família estará completa! 

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