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A decisão da troca de médico

Decidir pela troca do obstetra não é uma tarefa fácil para a grávida. Mas o conforto, o bem-estar e a segurança, acima de tudo, são os motivadores dessa decisão

Decidi mudar de médica. Na verdade, não decidi pela mudança por causa da médica ou por qualquer problema com ela. Decidi pela mudança para investir nas possibilidades do parto. Desde a primeira gravidez eu falo da minha vontade em ter meu filho sem intervenção cirúrgica, entrar em trabalho de parto (e sentir as dores) e viver essa experiência. 

Já falei na seção Culpa, Não!, já escrevi no blog e repito: nada contra a escolha da cesárea. E, se for preciso, faço de novo. Mas eu quero ter a possibilidade de tentar, o que não tive na primeira gestação. 

Tenho uma superafinidade com a minha ginecologista, ela é ótima, atende ao lado do meu trabalho, tem disponibilidade, é Whats App friendly, uma fofa. Gosto de verdade dela. 

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Mas eu estava precisando de uma pegada mais forte, mais incentivadora do parto normal. Estava achando que, assim como na primeira gestação, tudo estava se encaminhando para um parto cesárea. Sim, aos 6 meses de gestação, comecei a sentir isso. Coisa de mulher grávida. 

É difícil quando você tem uma relação pessoal com a médica. Difícil quando você realmente gosta da pessoa. Mas tem coisa que não bate e é preciso encarar. E eu sou péssima nisso, porque morro de medo de magoar alguém. 

Só que é o meu parto, poxa vida! É o nascimento do meu bebê. É a minha vontade e ela precisa de alguma forma falar mais alto do que a minha vergonha em dizer “Fulana, sabe o que é? Eu quero mudar para outra médica”. 

Então pedi conselhos às amigas e indicações para as meninas da Pais & Filhos – que trabalham e entrevistam médicos dia sim, dia também. Recebi desde o telefone das parteiras que fazem seu bebê nascer na sala de casa, das que deixam você numa casa de repouso pré-parto, até das que humanizam tudo que podem para tentar ao máximo o nascimento do bebê de parto normal, mas dentro de um hospital. Essa foi a minha escolha. Uma médica incentivadora do parto normal, mãe de duas crianças que vieram ao mundo de forma natural e que acredita que, após uma cesárea, é possível, sim, ter um parto como o que eu quero. Mas que, assim como eu, acredita que precisamos da segurança de um hospital, da UTI por perto e de todos os cuidados necessários. Vai que… né?! 

A troca de médico me pareceu saudável e feita na hora certa. Estou confiante e mais segura. Estou realmente acreditando que essa escolha foi a melhor para mim e pro meu bebê. 

A 15 semanas do provável nascimento do Rafael, eu resolvi mudar de médica e de hospital. Resolvi seguir os meus instintos de mãe e arriscar. Resolvi tentar. Se não der, sem estresse e neura, entramos com a intervenção cirúrgica. Coragem não me falta, nem disposição para o trabalho de parto. O importante, acima de tudo, é me sentir bem e segura para encarar o que vem pela frente! 

Ah! Sobre a escolha do hospital eu conto na semana que vem! 

Para não trocar seis por meia dúzia 

  • Pondere todos os prós e contras do seu médico atual e veja o que prevalece.
  • Veja a distância, o tempo de atendimento e o custo do novo médico. Tudo isso tem de caber no seu planejamento.
  • Peça opiniões, conselhos e escute grávidas (ou mães) que foram atendidas pelo novo médico.
  • Converse com o médico atual para ver se tem algo que não pode ser melhorado.
  • Não tenha vergonha de mudar ou de avisar que está mudando. O pré-natal é uma rotina, e o médico (o antigo e o novo) deve saber respeitar as suas escolhas.
  • Tenha em mente que, mesmo trocando de médico, pode ser que a sua vontade de parto normal não prevaleça. Afinal, essa não é uma decisão apenas sua ou do obstetra. Depende de um conjunto de fatores no dia do parto.

Pais&Filhos TV