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O primeiro ano do segundo filho é um tumulto generalizado na vida da mulher, do casal, do irmão… e da vida da família. Mas tudo se encaixa e se torna completo

Claro que eu amo ele. Ave-maria, como eu amo! Rafael é um pedaço de mim que, somado a Gabriel, me completa. Se existe isso de tampa da panela – desculpa, marido –, a minha tampa seriam esses dois menininhos aí. Porém, preciso confessar: o segundo filho desestrutura a gente. Tem um ano que não durmo uma noite inteira direto por causa de uma porcaria de uma chupeta que insiste em cair (e eu já tentei de tudo, menos a fita crepe!). Tem um ano que tento emagrecer, que acordo às 7h, para sair às 9h, e ligo o carro às 11h. Tem um ano que começo a trabalhar depois que todos da casa dormem e que não durmo agarradinho com o marido, sem ninguém no meio em algum momento da noite… Ah, bem, deixa pra lá.

Tem um ano que estou desestruturada. Uma mulher preenchida, completa, feliz e desestruturada. Pode isso? Sei lá! Só sei que me sinto assim. Eu tenho crises de choro que se misturam com uma risada de canto a canto da boca, quando vejo o pequeno buda mostrando lindamente seus dois dentinhos, enquanto destrói a minha gaveta de documentos do criado-mudo, come o papel higiênico do banheiro ou tira absolutamente todas as vasilhas do armário. Eu choro e gargalho pelo mesmo motivo. Bem que dizem que toda mãe tem um pouco de insanidade… e eu acho que isso é proporcional ao número de filhos.

Esses dias uma amiga grávida disse que tem medo dos nossos relatos do segundo, terceiro filho. Porque todas nós tivemos o momento descontrol principalmente no primeiro ano do segundo bebê. Alguém também teve momentos de surtos e outras pensaram em se separar.

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(De novo, coisa de mãe desorientada, que ama alucinadamente a cara-metade, mal dá conta de si sozinha, quiçá de mais duas crianças, e grita descabelada feito louca pela casa: “Quer saber? Cansei, vou me separar!”. Ah…tá. Isso vai te deixar bem mais relaxada, filha!)

Sabe uma conclusão a que cheguei? Aqueles tais hormônios da gravidez, que dão sono, fome, fazem a grávida esquecer e fazer bobagens, só trocam de função, mas continuam ativadíssimos aqui na nossa cabeça, por pelo menos mais uns 400 a 500 dias pós-parto. Aí quando eles, pluft!, desaparecem, a gente esquece tudo isso. E dá até vontade de fazer mais um filho, né?

Outra coisa que concluí é que essa loucura toda só passa na cabeça da mãe (tá vendo a relação com os hormônios? Eles ainda estão aqui… eu sei, eu sinto!). Porque pra pai é tudo lindo, né?

Li esses dias, na coluna Fotografilhos, que Ike viaja de carro com a família (e todos dormem lindamente, ninguém grita, vomita ou esperneia no cadeirão…), ele vê o Tony bater palminhas, vê a magia do primeiro aninho, o amor da Nina…. até o trocar da fralda é mágico… Luciana, minha filha, é assim mesmo??? Tudo sempre lindo por aí ou um olhar paterno predominando no texto?

Aqui em casa, o marido também não vê motivo para tanto cansaço, tanta olheira, tanta “irritabilidade”. Me deixe, viu?!

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Mas junto com tudo isso (acreditem, é VERDADE!) vem um amor que cresce a cada dia. Avassalador. Que dá saudade no meio da noite. Vem uma sensação de estar completa. Vem uma felicidade inexplicável. É, tem que sentir. Porque se ser mãe é uma realização, para mim, ser mãe de dois é uma realização plena! Vale estar desorientada, sem dormir, trabalhando às duas da manhã e sem espaço na cama. Por esse amor, vale tudo!

Parabéns, meu pequeno buda, pelos seus 365 dias de alegria e travessuras! Você faz uma bagunça deliciosa na minha vida!

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