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“Não me limite”

Quem dita nossos limites... somos nós mesmos

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Junho já passou há bastante tempo, mas não tinha como não escrever a experiência que tive com a pequena na festa junina da escola. Ano passado, Lorena tinha um ano e quatro meses no dia da festa junina.Como ela ainda não andava na época, cheguei com ela no carrinho e vi as crianças da sua classe todas vestidas de caipiras já correndo pelo salão. Foi dolorido. Percebi claramente naquele dia o atraso motor considerável que minha filha tinha comparada às crianças da mesma faixa etária. Confesso que não curti a festa como deveria.

Família toda reunida e eu com aquele sorriso meio feliz, meio triste, tentando não ficar chateada por algo que já saberia que iria acontecer. Porém, por mais que fosse a minha realidade, não é nada fácil aprender encarar com naturalidade. Isso requer muito tempo de “administração mental” e trabalho árduo de paciência. Uma mãe certa vez me confessou que, nas festinhas da escola, assistia a apresentação da filha e ia embora para não ver as das outras crianças para não se chatear. Como julgá-la? Nunca! Sei bem o que ela sente.

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Neste ano, Lorena já estava andando e lá estava a pituca toda fofa com seu vestido de caipira correndo no salão. Mas, ainda tinha um desafio: a quadrilha. A classe dela iria dançar e eu já estava imaginado o óbvio: Lorena não iria dançar. Por quê? Porque crianças de dois anos geralmente não dançam quadrilhas, elas choram agarradas nas mães. E porque Lorena, ao meu entendimento, não teria condições de aprender a dança naquele momento de sua vida.

Chegou o momento da quadrilha e minha pequena se atracou no meu colo. Não queria ir para o chão de jeito nenhum, com aquela cara de choro. Chamei a professora e ela me aconselhou a dançar junto (o que eu já havia previsto). De repente uma pessoa da escola pegou a Lorena e colocou-a no chão junto das outras crianças e antes que ela entendesse o que estava acontecendo a música começou a tocar. E a pequena começou a dançar. Fazendo a coreografia atrapalhada como todas as outras crianças, lá estava minha filha curtindo muito, feliz, “tudo junto e misturado” com seus amiguinhos. E essa mãe que vos escreve mais que rapidamente saiu da mira do olhar dela e ficou num canto, felicíssima e cheia de orgulho! Lorena estava dançando lindamente e eu a havia subestimado erroneamente.

Quadrilha finalizou e Marina, sua irmã de quatro anos, saiu correndo para beijá-la e falou para mim: “mãe, a Lorena dançou tão fofinha!”. E eu abracei as duas chorando copiosamente. Quando me dei conta, estava todo mundo chorando desde família, professores e outros pais. “Ela foi a melhor de todas”, disse a avó e a tia encantadas.

Resumo da história: senti envergonhada porque eu mesma, a própria mãe, duvidei da capacidade da pequena. Porém, serviu-me de lição: quem dita os limites do ser humano é ele próprio. E foi muito bom ter levado esse tapa na cara. Acordei, mas de uma forma feliz, pois foi lindo demais ver aquela caipirinha sorrindo e dançando.

Mãe coruja filmou um tiquinho. Segue vídeo da quadrilha:

 

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