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Ciúme de irmãos: poderia pular esta parte?

Assim que engravidei fui alertada sobre a possibilidade, mas eu achei que comigo isso nunca aconteceria.

Ontem fui à reunião de escola da Marina, minha filha de dois anos e dez meses. Sentei-me em frente à professora e comecei a ler o relatório dela. O relatório é dividido por trimestres, então podemos comparar a evolução da criança. Parte 1: vai de uniforme, lancheira OK, etc. Parte 2: desfralde OK, chupeta não usa, etc. Parte 3: participa das atividades, compreende as ordens, etc. Parte 4: grita (às vezes), agride amiguinhos (às vezes), algo do tipo “faz birra”,com resposta “sim”. Ei, essa aí é a minha filha? Antes as respostas eram sempre “não”, falei imediatamente! Ok, confesso, em casa ela mudou o comportamento também de uns tempos para cá, mas nunca incentivamos essa mudança, pelo contrário. A professora olhou bem no fundo dos meus olhos e respondeu: mas antes não tinha uma Lorena na vida dela.

Quando fiquei grávida da Lorena todos me avisaram que a Marina teria um super hiper mega ultra ciúmes da irmã. Eu nunca quis acreditar nisso, pois a minha filha sempre foi uma criança que aparentemente não oferecia esse tipo de atitude. Assim, me sentia calma e preparada para o nascimento da caçula. Após a chegada da Lorena tudo transcorreu muito bem, eram beijinhos aqui, abraços ali, minha Lorena linda e por aí vai. E eu, com a boca cheia de orgulho dizia a todos que a Marina amava a irmã e que não tive o menor estresse com ciúmes.

Mas, os meses se passaram e as coisas mudaram. Um super hiper mega ultra ciúmes começou a aparecer e o comportamento da Marina mudou completamente. Crises de birras, choros intermináveis, gritos sem motivos e até puxões de cabelo na Lorena começaram a acontecer. E eu tive que assumir que a situação estava começando a sair do controle.

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Piorou muito após a ida da pequena para a escola. Marina chegou a colocar a mão dentro da boca para vomitar. Tudo e mais um pouco para chamar a atenção da pobre e única mãe que sou. Está certo, vou admitir: já cheguei a chorar em uma das crises de birra dela.

Socorro!!!!

Alô? É a Super Nanny? Preciso urgente de você aqui na minha casa! O motivo? Mãe desesperada com criança descontrolada.

Admitir que a situação fugiu do esperado é a primeira ação a ser tomada. Certo, isso eu já percebi. Dar atenção para a mais velha seria a solução. Mas, há horas que a atenção que dou é pouca ao olhar dela e aí as birras e choros. Nunca sei quando é que está bom ou não, tudo é desafiador…

O bom disso tudo é que não tenho a menor vergonha de dizer que minha filha é birrenta, chata e chorona, assim consigo obter conselhos de mães mais experientes que passaram situações parecidas com a minha. E, para minha felicidade, 99,99999% das mães têm alguma história para me contar. Ufa, que alívio!

Agora, uma coisa eu sei: como diz uma grande amiga minha “a pior fase do filho é a que a gente está passando e a melhor é a que já passou” e como Deus ajuda quem cedo madruga e em casa todo mundo acorda com o raiar do sol, espero que nosso Pai todo poderoso lá em cima me ajude e me dê muita paciência nessa fase chata. Eu sei que esse super hiper mega ultra ciúmes vai melhorar, mas… Poderia pular essa parte?

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