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Devagar com o andor…

Antes de se empolgar na lista de compras para seu futuro bebê, leia a coluna da Patrícia Broggi

Minha cunhada Carla, mãe da Anna, do Nick e do Kiko, é gerente em uma loja de produtos para bebês. É uma loja bem bacana com carrinhos ultratecnológicos, mamadeiras ergonômicas, chupetas em vários formatos… O lugar pode ser considerado um paraíso para mães ávidas em comprar tudo o que o seu futuro rebento vai – e não vai – precisar. Ou seja, é a verdadeira tentação. 

O salário da Carla é variável, depende do desempenho da loja e do volume de vendas. Mas outro dia ela me contava que muitas vezes ganha mais fazendo as mães “não gastarem” do que gastando.

“Como é, Carli?”, eu perguntei.

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Ela me explicou uma situação recorrente no dia a dia da loja: encontrar uma grávida com uma lista na mão comprando um rol de coisas para o bebê – várias mamadeiras, diversas chupetas, colherinhas, pratinhos…  Todo aquele monte de coisas novas que uma criancinha vai precisar e que não fazem parte da vida de um casal sem filhos. Pensa só quanta coisa, de mobília a acessórios para a cozinha, passando por roupas e adereços, isso sem falar em meios de transporte, brinquedos… É incrível!

Ela conta que nessas listas, geralmente, acompanhando os diversos itens vem um número representando uma quantidade daquele produto que é “imprescindível” ter. Tipo, cinco mamadeiras (duas para a casa, duas para a sacola do bebê, uma de reserva), ou dez (repito, dez!) chupetas, ou ainda, seis jogos de cama (afinal, a fralda pode vazar)… São números bem folgados, assim a mãe não terá de sair correndo para ferver mamadeiras ou lavar lençóis.

A intenção de quem passa esse tipo de lista é boa, mas a Carla é a favor do “menos é mais”. Explico. Ela me contou que é bem possível você comprar uma chupeta importada fantástica e, de repente, a criança não usar a tal chupeta. Ou não se adaptar a um bico de mamadeira. Ou não precisar de babador… Acontece muito, mais frequentemente do que você imagina. Por isso, ela costuma aconselhar os clientes de sua loja a comprarem apenas o necessário para o começo. 

É o tal do experimentar, ver se o bebezinho gosta, se certificar de que a compra vai ser usada… Depois, sim, comprar o que falta. Ela me deu vários exemplos de mães que experimentaram alguns fabricantes diferentes de um mesmo produto para finalmente encontrar um que o filho aceitasse. Até com fraldas e sabonetes isso pode acontecer.

Essas mães que ouviram as sábias palavras da minha cunhada acabaram virando fãs dela, e, melhor ainda, fiéis à loja. Voltaram muitas vezes para comprar carrinhos, banheiras, brinquedos…  Ou seja, ela deixou de vender no começo, mas ganhou muitas vendas futuras.

Bom para ela, é claro, afinal eu torço pela Carla. Mas, acima de tudo, bom para todos os casais prestes a embarcar nesse mundo novo dos filhos. Acho que essa lição deve ser usada por todas as grávidas. Aliás, por todas as mães e pais, tanto quando o bebê está para nascer, como em muitas outras ocasiões na vida de seus filhos afora.

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