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O que você vai ser quando o seu filho crescer?

Tendemos a abrir mão de nossas vidas pelos filhos. A doação pode ser tamanha que podemos nos surpreender ao descobrir que já não sabemos mais quem somos

Não há como negar que a maternidade transforma uma mulher. O “eu” passa a ser “nós” para todo o sempre. Claro, há aquelas que conseguem fazer desta condição algo reversível. Mas, arrisco a dizer que a maioria não. 

Antes de a criança nascer, todas as atenções são voltadas para a mãe. Perguntas, palpites, mexem e beijam a barriga sem cerimônia. Mas, logo na maternidade há um rompimento brusco. As pessoas já entram no quarto querendo ver o bebê, segurá-lo, presenteá-lo. De protagonistas passam a… a… a… mãe daquela criança. Num segundo perdem a identidade, mas nem percebem ou ligam. Aquele pequeno ser é tão envolvente e dependente que a simbiose se instala. Mas logo eles crescem um pouco e a situação fica mais explícita. Seja no médico, na escola, na casa do amigo, no clube, onde quer que seja, o nome da mãe não é mais citado. Passam a ser a mãe de. Mas também pouco importa, afinal o filho é tudo. E logo crescem mais um pouco, um pouco mais e começam a voar. “E agora”, pergunta a mãe. “Ontem ele era carente de mim. Hoje sou carente dele. Sinto falta de quando eu era o seu mundo!”, mas o mundo é bem maior que a mãe. 

E então, muitas reclamam com os filhos ou dos filhos por terem aberto mão de suas vidas, de seu nome, adaptado a sua profissão. Muitas clamam por reconhecimento e amor. Mas parece ser em vão, pois não se reconhece ou se admira por decreto, por obrigação. E, pela própria carência, responsabiliza o filho por sua felicidade e valorização. 

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Nesta fase, muitos casais se separam. Muitas mães adoecem. Os filhos não precisam mais delas. Outras tantas impedem-lhes o crescimento para tê-los embaixo das asas para todo o sempre. Mas uma hora há que se encarar a situação. O fato é que, consciente ou inconscientemente, tendemos a abrir mão de nossas vidas. E a doação pode ser tamanha que podemos nos surpreender ao descobrir que já não sabemos mais quem somos. Perdemos o chão, perdemos nós mesmas. 

Então, antes que o seu filho cresça atente-se: 

  1. Reconheça a situação e prepare-se psicologicamente. Quase todas as mães repetem sem parcimônia: “Educo meu filho para o mundo!”. Mas quando este mundo chega esta frase vira uma indigesta teoria.
  2. Não deixe que sua vida gire em torno da criança. Você já existia antes dela. Saiba também priorizar-se sem medo e sem culpa. Ser mãe é um de nossos papéis e não o único.
  3. Não abra mão do marido em prol da criança. Sem perceber, ela rouba espaço e tempo da família. Chama a atenção, não deixa os pais conversarem, rouba a cena, modifica a rotina. E em pouco tempo não se conhece mais com quem se dorme.
  4. Valorize o seu crescimento e o do seu filho também.  Prepare-o e se orgulhe dos seus ensaios de voos que vão cada dia mais longe do seu olhar. E, não pise em suas asas. É bom voar.
  5. Busque diariamente o seu ser. Isso ajudará na formação da identidade do seu filho, além de favorecer que ele te valorize, ame e respeite. Não se abandone. Seu filho irá crescer.

 

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