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Erros que parecem acertos – Parte 2

Na coluna anterior, tratamos de alguns erros que parecem acertos ou situações que são mal percebidas, pouco aproveitadas ou inibidoras de aprendizagens. Vamos a mais alguns exemplos

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Autonomia, liberdade e limite.

A criança só aprenderá a cuidar de si, em todos os aspectos, se tiver oportunidades com liberdade e limite. Não dá para deixar para ensinar às vésperas da viagem de intercâmbio, acreditando que seu filho é pequeno para tal, pois a autonomia é processual, isto é, dá-se passo a passo e isto requer tempo. Assim, a criança precisa desde pequena, por exemplo, ter liberdade para se vestir, arrumar a mochila, a própria cama e seus brinquedos. E, nesse processo, aparecem os limites que devem ser paulatinamente trabalhados. Não se pode vestir qualquer coisa em qualquer lugar. A mochila precisa estar coerente com a agenda e o calendário escolar. Há uma organização na arrumação da cama. Os brinquedos têm seu lugar. Fazer no lugar da criança é sim bem mais rápido. Mas desenvolver autonomia traz muito mais recursos e segurança à criança e aos pais.

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FECHAR

Responsabilidade. A criança precisa entender que ela tem responsabilidades assim como todos. Estudar, arrumar o quarto, cuidar de seus pertences, manter a harmonia da casa, colaborar com as tarefas, enfim, faz parte de seu desenvolvimento e deve começar de pequena. Mas cuidado: se a criança é premiada, seja com dinheiro ou objetos, assim aprenderá e funcionará, e o princípio da responsabilidade não será ensinado.

Ordens. É comum um adulto dar uma ordem e o outro dar outra, e a criança decide o que lhe convém. Procure alinhar os comandos entre os parceiros e não rebata a ordem dada, mesmo se não concordar. A sós discutam e voltem a falar com o filho.

Perguntas difíceis. Falar sobre sexo, morte ou de onde vem os bebês constrange muitos pais, mas é uma curiosidade normal da criança e deve ser tratada com verdade. Não invente conceitos, ou fantasie para amenizar, ou diga que ainda não está pronto para saber. Responda apenas o que foi perguntado. Se a criança não ficar satisfeita, ela continuará a perguntar.

Observação. Olhar o filho com atenção pode evitar problemas mais graves. Isto vale para tudo. Para comportamentos quando está sozinho, quando interage com outras crianças, adultos, meio ambiente. Para a sua postura frente a desafios. Para os programas que assiste, o que faz com o tempo livre, para com os seus gostos. Observe se há atrasos de desenvolvimentos e as dificuldades de ensino ou de aprendizagem. Observe tudo, analise, peça ajuda se precisar e aja.

Babá. Seu filho vai querer testar também a autoridade da babá. É preciso ensiná-lo a ter respeito pelos profissionais e conversar com o cuidador na frente dele, transferindo naquele momento tal responsabilidade. Deixe bem claro à babá e ao filho as ordens e a rotina que você acha importante, não delegando a eles, babá e filho, este papel que é dos pais.

Parceria família-escola-criança. Não devemos delegar ou terceirizar os filhos. Todos devem ser parceiros e responsáveis pelo sucesso da educação da criança, inclusive ela própria. Há escolas que deixam claro os papéis de cada um, fazem um documento de compromisso e todos assinam. Acho fantástico! A partir dos 6 anos é ideal para participar.

Criança nota dez. Não ser o melhor da classe ou não ser criança impecável é bem comum e até saudável. O importante é que o seu filho aprenda a ser, a viver, a conviver e a aprender, o que se faz entre erros e acertos. Aprender conhecimentos que o possibilitem compreender e transformar o mundo e a si mesmo.

Rótulos. Tendemos a rotular ou comparar as pessoas e os filhos não escapam. Todavia, seu filho é um ser único e em construção. Rótulos ou comparações fazem com que se sintam inferiores, com baixa autoestima, inseguros, e buscarão ser o que não são para serem aprovados. Desastre total.

Não se meta. Usando o bom senso, os desentendimentos entre crianças devem ser resolvidos entre as crianças. Assim a criança aprende sobre causa e consequência, sobre respeito às diferenças, sobre empatia, sente na pele o que não gosta, repensa as relações, amadurece emocionalmente e socialmente. Deve-se sim conversar sobre o ocorrido e fazer os ajustes necessários, mas deixe-o resolver.

Agora é refletir, observar e mudar o que precisa. Vamos?

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