Colunistas

A roupa de festa

"A verdade é que estranhamos tanto nosso corpo e estilo que fica difícil sentir-se bem no puerpério"

manita-menezes

(Ilustração: Manita Menezes)

Uma das maiores dificuldades que lembro da época em que amamentava era a roupa de festa. E uma festa, uma boa produção, pode nos deixar bem felizes. Nem que seja por uma noite. Certa vez comprei um vestido longo, lindo, de pedrarias, todo chumbo e prata. Eu seria madrinha de uma das minhas melhores amigas. O enlace era em São Paulo e seria muito elegante.

Uma semana antes do evento, parei de dar de mamar. Meu peito caiu de 46 para 38. Caiu e sumiu. Corri para uma costureira e arrumei o decote. Estava tão largo que eu poderia levar alguém de penetra lá dentro se quisesse.

O resultado até que foi bom. Tenho saudades daquela época despeitada. Eu fiquei tão magra e elegante que só recebi elogios. Estava sumindo do mapa, me sentia péssima, mas a ditadura da magreza – naquela noite – levantou meu moral.

Anúncio

FECHAR

A verdade é que estranhamos tanto nosso corpo e estilo que fica difícil sentir-se bem no puerpério. A gente não sabe mais quem é ou o que acha legal. Muito menos quer saber quanto pesa ou qual a quantidade de horas de sono recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.

Meu marido comemorava 10 anos de empresa quando a Aurora tinha 5 meses. Naquela época, a “firma” ainda fazia uma festa glamourosa, o Baile dos Jubilados. Era uma noite com mil discursos, muitos presentes e champagne ilimitado (esse, um problema à parte).

Com 10 quilos a menos que os meus usuais 60, e levemente afastada de qualquer vida social por algum tempo, eu estava insegura. Não sabia que roupa usar mesmo. Nem tinha roupa para tal ocasião. Minha personal e uma amiga que trabalhava comigo, ambas vizinhas de prédio, era “djóxens” e me emprestaram umas roupas de balada. Tudo servia naquele fiapo de corpo. Mas eu não conseguia entender se achava bonito, se aquelas roupas eram pra mim. Minha cabeça estava confusa.

Pela primeira (e última vez) fiz algo muito anos 10. Tirei duas selfies com os meus looks preferidos e postei no Instagram com a seguinte pergunta: Rosa ou dourado? O vestido cor de ouro, com camadas de babados foi unanimidade. Assim, eu, que não tinha muito tempo para me produzir, tomei um banho, fiz apenas as unhas no salão, pintei um olho preto que aprendi num tutorial na internet e sai de casa triunfante. Na portaria do prédio, mães e pais que esperavam seus filhos chegarem de van não me reconheceram. Obrigada internautas e amigas que ajudaram na produção, minha autoestima foi às alturas naquela noite.

Dicas de estilo:

– Algumas novas mães sofrem para perder os quilos adquiridos na gravidez, outras (em função da amamentação) perdem até demais. Uma coisa é unânime: o seu corpo mudou. Durante esse primeiro ano é normal que o corpo ainda passe por transformações, então realmente não é a hora de fazer investimentos em peças caras, como os vestidos para uma festa que exija um dresscode mais sofisticado. Pedir emprestado para as amigas ou alugar são as melhores soluções. Mas cuidado para não ir fantasiada de outra pessoa. 

-Ficou insegura? Vamos usar a tecnologia a nosso favor. Se postar nas redes não for do seu agrado, envie uma selfie no espelho no seu grupo de amigas. Às vezes tudo que a gente precisa é de um apoio moral para dar uma aumentadinha básica na autoconfiança. 

*Colaboradoras: Bruna Holderbaun e Milena Faé.

Leia também:

“Não sinta culpa”, Paola Carosella faz texto incrível sobre maternidade

Esses trigêmeos fofos são um marco na história na medicina; Entenda!

Saiba o que esperar de uma gestação de múltiplos

Pais&Filhos TV