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Eu, no livro?!

Por que será que gostamos tanto de encontrar o nosso nome nas revistas e até mesmo nos livros? Quando tem uma foto, então, quanta emoção!

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(Foto: reprodução da web)

Toda semana, recebo livros de editoras, autores e até de ilustradores. Eles querem compartilhar comigo o seu trabalho e, quem sabe, ter a sua obra selecionada para fazer parte da lista dos +100 livros nacionais do blog Bebê Leitor. É um trabalho legítimo, trata-se de uma ação de divulgação da obra. Se ninguém conhece o livro, como é que os leitores vão encontrá-lo?!

Leio e analiso todos os livros que recebo com carinho. Publicar um livro não é tarefa fácil e merece respeito. Mas confesso que muitas vezes nem respondo em agradecimento. Passo por mal educada. É que mantenho o blog o mais independente possível. Só recomendo livros que realmente aprecio e acredito.

Acontece que esses dias recebi o livro personalizado da Editora Dentro da História. Não era bem um livro, mas um voucher com uma senha. Tinha que entrar na internet e terminar de fazer o livro. Achei curioso. Resolvi experimentar.

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Convidei meu filho adolescente para me ajudar. Ele tem 13 anos e é um “expert” nessas coisas de tecnologia. Eu estava com receio de errar em alguma etapa. Coisa de gente que ainda tem medo de computador. Além disso, estava desconfiada da minha capacidade de montar uma ilustração a partir de uma foto. Será que vai mesmo ficar parecida? O Fê vive montando perfis dele nos games que tanto joga. São os seus avatares. Iguaizinhos a ele!

Comecei pedindo fotos da criança que iria ganhar o livro para os pais (várias, por sinal – pois não gostei da resolução de uma, da posição da criança em outra e por aí vai). Mandaram pelo Whats. Com o celular em uma das mãos, Fê  e eu acessamos juntos o site. Tivemos que escolher o livro. Decidimos como apareceria o nome da criança no livro (completo? só o primeiro nome? o apelido?). Discutimos sobre a melhor cor que representava o cabelo, a pele e os olhos da criança. Decidimos sobre a sua roupa, o penteado, o sapato. “Tem pulseira, mãe? Brinco?”… Fizemos vários testes e demos muitas risadas com o resultado. E não é que a ilustração ficou parecida?! Foi bem divertido. Mandei uma foto da ilustração para os pais. Ficaram emocionados. “Não é que parece a Lívia direitinho?!”.

Fê e eu prosseguimos colocando os dados da criança, de entrega e tudo mais. Fiquei insegura. Folheamos o livro algumas vezes antes de dar o ok final. Finalizamos e ficamos aguardando o livro chegar. Pediram alguns dias, não muitos. Coincidiu com o feriado, mas chegou certinho dentro do prazo.

Tá certo que, se tivesse convidado o Fê para me acompanhar a uma livraria para escolher um livro para a Lívia, o programa também teria sido divertido. Mas gostei muito da experiência de montar o livro junto com a editora, tendo que tomar tantas decisões importantes. Se não fosse eu mesma uma profissional da área editorial, diria que me senti realmente uma. Além disso, foi um momento mãe & filho bastante agradável. Desses que não costumam acontecer em uma quinta feira à noite durante a semana de prova.

Essa experiência toda somou-se a uma outra. Na mesma semana, visitei uma escola e autografei pelo menos 80 livros meus para os leitores, crianças com 6-7 anos. A emoção do encontro com a autora só não foi maior do que a de ver o próprio nome no livro. Não o nome que a mãe escreveu na capa do livro nem o nome da etiqueta de identificação, mas o próprio nome escrito pela autora! Na hora, isso me chamou a atenção. Algumas das crianças já sabiam ler e outras me perguntavam: “foi aqui que você escreveu meu nome? é o meu nome mesmo?”. Uma questão de identidade, eu pensei na hora.

Mas depois juntei os dois acontecimentos: o livro personalizado e os nomes nos livros. Lembrei-me de um livro que uma vez encontrei que levava o meu nome no título: Aloma. Lembrei-me do livro que a Gabi, minha filha mais velha, escreveu na escola sobre a família. Tinha fotos dela e de todos nós. Lembrei-me da vez que o sogro saiu, com foto e tudo, no jornal. E do sorriso de emoção da minha mãe na foto da revista do clube… A foto e a legenda com o nome.

Todos nós gostamos de encontrar o nosso nome e/ou a nossa foto em um livro. Ou em uma revista ou em um jornal. Não sei bem por que isso acontece, mas tenho a impressão de que  participar da escrita é sempre um motivo de orgulho. Um orgulho que nos legitima, que revela uma conquista adquirida (ou herdada). Mesmo quando ainda somos crianças reconhecemos que fazer parte da escrita é algo de valor.

Por isso o projeto da Editora Dentro da História me pareceu ainda mais significativo. Não só me proporcionou uma boa situação de convívio mãe & filho como faz da criança, de alguma forma,  protagonista de um livro. E não é isto uma maneira de ensiná-la a amar os livros e de estimulá-la a ler?!

Outro diferencial desse projeto são os personagens da Turma da Mônica. Sou das antigas. Cresci lendo os gibis do Maurício de Souza. Minha festa de 5 anos tinha a Mônica e o Cebolinha por todos os lados: dos cartazes nas paredes às lembrancinhas. Até as velas do bolo eram os meus queridos personagens. Já adolescente, amava a Tina, o Piteco e o Horácio. Com meus filhos não foi diferente. Gabi realmente era apaixonada pelo Franjinha e o Fê cresceu com a Turma da Mônica Jovem.

Ter ídolos na leitura também é importante. Quando amamos os personagens e/ou o autor, a leitura se transforma. Parece até que é mais nossa, que fazemos ainda mais parte dela. Com a criança pequena, nós mostramos a ela como encontrar e apreciar os personagens da literatura, seja ela dos contos de fada ou das histórias em quadrinhos.

É isso aí!

Bora ler!

P.S. Quando recebi o livro personalizado, pude analisar o seu acabamento e gostei bastante. Tem capa dura e a cola é boa. É um trabalho cuidadoso. Veio bem embalado. Foram super pontuais no prazo de entrega e muito simpáticos na comunicação: recebi alguns e-mails fofos sobre o fechamento do livro, a sua produção e a postagem no correio. Atendimento de primeira. Da próxima vez que tiver que dar um presente, pense em um livro e por que não, em um livro personalizado!

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