Bebês

Vínculo pelo toque

Acariciar a barriga durante a gestação e massagear o recém-nascido fortalecem o vínculo entre mãe e bebê

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Vocês ainda não se conhecem, mas a conexão com seu filho surge quando ele ainda está no útero. O bebê se movimenta ao sentir seu leve toque na barriga, o coração dispara ao ouvir sua voz e o laço se fortalece gradativamente à medida que os estímulos são transmitidos.

O toque, por meio da automassagem, é capaz de fortalecer o vínculo entre mãe e bebê e ainda traz benefícios para o desenvolvimento da criança. Estudos indicam: bebês que recebem carinho da mãe desde a barriga nascem se sentindo mais seguros, amados, sabem se relacionar melhor com o mundo e são capazes de lidar com as pressões da vida.

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É comprovado cientificamente que, a partir da 18ª semana de gestação, o bebê já é capaz de reagir ao toque das mãos da mãe. O toque não é apenas físico, mas também transmitido por meio da respiração, pensamentos e fala da gestante. Por isso, a importância de a mãe ficar atenta à sua respiração, ao ritmo de andar, sentar e falar. O fato de estar relaxada contribui para o vínculo e bem-estar do bebê. Por isso, muita calma nessa hora. Respire.

Priscila Castanho, mãe de Luana, recebeu massagem durante toda a gestação. Ela acredita na importância do toque para a formação do vínculo e para a conscientização da mulher sobre as mudanças em seu corpo. “Para o bebê, quando a mãe reserva um tempo do seu dia para receber massagem, ou realizar a automassagem, é um momento de prazer, segurança e conexão”, afirma Priscila, que é idealizadora do projeto Abraço Materno, doula pós-parto e instrutora de shantala.

Além de colaborar para a autoestima e relaxamento da mãe, a automassagem ajuda a superar ou minimizar as ansiedades da gravidez, o que pode colaborar para um parto mais tranquilo. “A vinculação emocional de hábitos saudáveis da gestante, como o autoconhecimento, sua feminilidade e sua autoestima, contribui para uma gestação mais tranquila, emocionalmente estável e, consequentemente, promove uma ligação mais forte com o seu bebê”, comenta Claudia Pellegrino.

Por volta do quinto mês, os movimentos do bebê começam a ser sentidos pela mãe. “Essa percepção propicia reações, como brincar, conversar, passar a mão na barriga, cantar, sendo esses momentos importantes para a interação entre eles (…) A força e o caráter desse apego inicial influenciarão a qualidade de todos os laços futuros do indivíduo com os outros”, diz o pediatra Fernando José da Nóbrega, em seu livro Vínculo Mãe/Filho (Ed. Revinter).

Após o nascimento, é também por meio do toque dos pais que o bebê se sente amado, seguro e tranquilo. A Dra. Rita Sanchez, coordenadora médica materno-infantil do Hospital Israelita Albert Einstein, mãe de Victória, massageou a filha desde o nascimento, e, ao final de cada massagem, a menina sempre dormia. “Se ela chorava, em vez de ficar balançando no colo, eu iniciava a massagem e rapidamente ela se acalmava”, diz.O toque auxilia no desenvolvimento físico, intelectual e psicológico do bebê.

Tiffany Field, diretora do Instituto de Pesquisa do Tato, da Escola de Medicina de Miami, realizou diversas pesquisas e constatou que o toque físico tem efeitos positivos no crescimento saudável da criança. Em seu livro Touch (Toque), ela revela que a massagem tem poder que vai além de tratar lesões.

“Além de aliviar o estresse, a ansiedade e seus reflexos no comportamento e no metabolismo, o contato físico teria efeitos positivos no crescimento, na respiração, nas ondas cerebrais, na frequência cardíaca e até no sistema imunológico, ajudando no combate às doenças”, esclarece a Dra. Claudia.A shantala, um método de massagem indiana desenvolvido especialmente para bebês, foi trazida ao Ocidente pelo obstetra francês Frederick Leboyer, que, em viagem à Índia, encontrou uma mulher massageando seu filho e ficou comovido com a ternura daquele momento de troca entre mãe e bebê. Pesquisas revelam que o método traz ainda benefícios físicos fundamentais para o desenvolvimento saudável do bebê: aumenta a velocidade da circulação sanguínea e linfática, o que contribui para a eficiência do sistema imunológico da criança; favorece o funcionamento do intestino; previne cólica; contribui para um sono mais tranquilo; estimula a parte neurológica e estimula a consciência corporal do bebê – que passa a ter maior domínio sobre seu próprio corpo – e da presença da mãe; e auxilia também no seu desenvolvimento emocional.

Para fazer massagem, a mãe deve estar disponível física e emocionalmente. “Bebês que recebem massagens são mais tranquilos, no entanto, a mãe tem de estar pronta para massagear, não ter pressa, estar disponível emocionalmente. A troca nesse contato se dá como na fala: se a mãe está angustiada, transmite essa sensação ao bebê. A massagem não pode ser encarada como uma tarefa”, diz Marcia Regina da Silva, filha de Joaquim e Eulalia, enfermeira responsável pelo curso de gestante do Hospital e Maternidade São Luiz.

Essa troca de carinho estreita os laços afetivos, ampliando a comunicação entre pais e bebê, aumenta a aproximação e a intimidade entre eles. “É também um diferencial de carinho em relação a outros cuidadores”, comenta Rita Sanchez.

O ato de a mãe aplicar massagem em seu filho é um momento de conexão, uma troca de afeto, carinho, amor e segurança. Ao aplicar a massagem, a mãe também recebe (e percebe) o amor transmitido pelo filho. É por meio do toque e das sensações que ele provoca que tornamos o bebê uma pessoa única. Não é à toa que eles sempre preferem o colo da mãe ao de outra pessoa. “Quando a mãe começa a praticar a massagem em seu filho, na maioria das vezes é surpreendida pelo amor que brota de suas mãos e o quanto é forte e poderoso esse sentimento. E, assim, o vínculo está fortalecido e o amor solidificado”, diz Priscila Castanh

Com o avanço da tecnologia e a multiplicação dos meios de comunicação virtuais, as pessoas se tornaram mais distantes e pouco se tocam. É muito bom abraçar, beijar, receber um afago… Uma massagem, então, nem se fala! Sabendo da importância do toque no desenvolvimento físico, emocional e intelectual das crianças, pratique mais. Certamente, além de todos os benefícios envolvidos, vamos criar seres humanos mais afetuosos, capazes de fortalecer o vínculo também com as próximas gerações.

Dicas de preparo para a shantala

• Para começar a massagem shantala você vai precisar de óleo de massagem, de uso exclusivo infantil e dermatologicamente testado, uma toalha para posicionar o bebê e uma fralda de pano seca para retirar o excesso do óleo;

• Leve o bebê sem roupinha e fralda para um quarto aquecido;

• Procure uma posição confortável para vocês dois: você pode ficar em pé e o bebê no trocador ou sentada com o bebê sobre suas pernas ou à sua frente;

• Aqueça suas mãos, friccionando uma na outra e inicie a massagem;

• O passo a passo da massagem pode ser encontrado em noso site ow.ly/oavPy

Consultoria: Claudia Pellegrino, Gerente Científico das Ciências do Bem- Estar Natura, (11) 4446-3626; Fernando José Nóbrega, pediatra especialista em vínculo, (11) 4446-3626; Marcia Regina da Silva, enfermeira responsável pelo curso de gestante do Hospital e Maternidade São Luiz,  (11) 3040-1326; Priscila Castanho, idealizadora do projeto Abraço Materno, (11) 96443-8397; Rita Sanchez, coordenadora médica materno-infantil do Hospital Israelita Albert Einstein, (11) 2151-0464.