Bebês

Ninguém segura este bebê!

Tranquilidade e firmeza são essenciais para os pais na hora de levar o filho para vacinar

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Muitos pais e mães comentam ficar com pena da criança por causa da “picadinha”, além de ficarem um pouco apreensivos nos momentos anteriores à vacinação.  Mas, mãe nervosa e pai impaciente não ajudam em nada. Aliás, só atrapalham. Para a criança relaxar – ou ao menos ficar menos inquieta – na hora da vacina, é essencial que quem for levá-la para tomar as injeções também esteja tranquilo e seguro. Conversamos com o médico sanitarista e responsável pelo setor de vacinas do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica, Ricardo Cunha, pai de Renata e Marina. Segundo ele, os pais precisam estar cientes dos “momentos” pelos quais as crianças passarão durante a imunização, que são:

Momento da aplicação: momento único, curto, que exige alguns cuidados;

Anúncio

FECHAR

Momento pós-aplicação: até 72 horas depois. A criança vai ficar um pouco irritada, com a pele mais sensível por causa da vacina.

Para começar, é bom que os pais entendam que – infelizmente – não temos como evitar a dor da picada. Existem pomadas ou sprays que você aplica que prometem impedir a dor, mas isso não ocorre. O que pode acontecer é a pomada tirar a dor de uma camada muito superficial da pele, mas não resolve, uma vez que a vacina atinge o músculo, bem mais profundo. Então, pais e mães têm de aceitar o fato de que aquela picada vai acontecer, mas ela é para o bem da criança – e muito rápida!

Ao ficarmos seguros e tranquilos, é bem mais fácil acalmar nosso filho.

No dia da vacinação, além da caderneta, a mãe (ou pai) deve estar portando o documento e a calma nessa hora. Segundo o médico infectologista, o bebê deve estar relaxado e tranqüilo antes de entrar na salinha. O ideal é que o bebê tome a vacina no colo da mãe, com o aconchego e calor maternos. Durante a (s) picadinha (s), já que o bebê pode tomar mais de uma vacina no mesmo dia, a mãe deve ficar com a criança no colo, segurando muito firme. Mesmo em caso de recém-nascidos, o adulto deve ser firme, já que a criança se mexe bastante e com força, podendo atrapalhar na aplicação e causar ainda mais dor.

 

Depois da picadinha

Normalmente, a criança vai ter um período de 3 minutos, aproximadamente, de choro depois da vacina e vai diminuindo progressivamente. Por isso, é bacana seguir as mesmas orientações dos momentos antes e tentar acalmar a criança com um colo e abraço aconchegantes. Uma dica é colocar a criança numa posição confortável – se for bebê, o melhor é colocá-la numa posição lateralizada ou de bruços e o ninar. Dr. Ricardo Cunha garante que o carinho é a melhor forma de acalmar e não traumatizar seu filho com as agulhas. Isso porque, segundo ele, após passar pelos momentos de dor e estresse, o bebê deseja voltar às condições intra-uterinas, ou seja, deseja um lugar calmo, escuro, quente, apertado (para isso, basta o aconchego da mãe, e/ou uma cobertinha o envolvendo) e, como se mexia dentro da bolsa de líquido, é bom balançá-lo devagar, ninando.

Uma ótima dica para acalmar a criança antes e depois da vacinação é amamentá-la: imbatível para abaixar o nível de estresse no seu corpo e, de certa forma, distraí-la do incômodo que pode permanecer por até 72 horas depois da picadinha. “Mas, eu não aconselho vacinar a criança enquanto está dormindo ou amamentando. Apenas fazer isso durante a vacinação. Acredito que o aleitamento é um momento de relaxamento, muito particular. E você vai lá e dá uma picada, é um estresse muito grande, pode traumatizá-la”, alerta o médico.

Alguns estudos também destacam que o açúcar ajuda na baixa do nível do estresse. Sabe aquela conversa de “água com açúcar”? Então, é isso. Pode ser que ajude, mas, vá lá! Não vai encher a criança de açúcar. Só um pouquinho. “Mas o aconchego relaxa muito mais, a condição confortável é muito mais eficiente”, lembrou Dr. Ricardo.

O período de irritabilidade da criança pode durar 72 horas depois. Então, paciência e calma! É normal que o bebê fique estressado, irritado, talvez até apresente um quadro de diarréia, fique chatinho para amamentar ou comer. Por isso, durante esses três dias a mãe e o pai podem usar de alguns “recursos” de relaxamento com a criança como:

-aconchego em panos,

-posição no colo lateralizada

-cantarolar para ele

-balançar levemente

-amamentação (acalma bastante).

É proibido

Existem algumas dicas bem furadas em torno da vacinação. A principal delas é a medicação para crianças antes da vacina. Não se deve dar nenhuma medicação para a criança (a não ser que seja recomendada pelo pediatra). Há algum tempo, alguns médicos davam Paracetamol, mas isso não é recomendável, por que já foi comprovado que o remédio pode alterar algumas vacinas.

Não usar compressa, especialmente as quentes. As compressas quentes, por mais que pareçam confortantes, podem piorar o processo inflamatório, comum no locar da picada (se o local ficar muito inflamado e você queira dar um alívio para a criança, faça compressa com água gelada).

Crianças maiores sem traumas

A criança maior (a caderneta de vacinação do Ministério da Saúde é até os cinco anos) vai reagir às vacinas de acordo com as experiências anteriores. Por isso, a tranquilidade deve ser passada ao bebê desde sua primeira imunização. Se experiências anteriores foram calmas, se foram conduzidas de forma tranquila é bem mais fácil para vacinar crianças um pouco mais velhas. Agora, se as situações forem traumáticas, seu filho vai reagir, provavelmente, muito pior.

É legal que os pais sempre orientem (no dia da vacina, não precisa ser antes disso) a criança sobre a importância daquele dia, que vai doer um pouco, mas que logo passará. E, mais uma vez, a melhor dica é que os pais estejam calmos. Caso quem leva a criança para vacinar não esteja firme, ou se os profissionais perceberem que a mãe não vai segurar o bebê/a criança com segurança, é melhor que chame um profissional para fazer.

Outra coisa que não é aconselhável que a família toda acompanhe a criança na vacinação. Nada de pai, mãe, avó, irmãos… Basta um familiar junto ajudando o profissional de saúde.