Bebês

BCG, a vacina da marquinha

Se seu filho recém-nascido tomou, mas a cicatriz não apareceu, refaça a dose

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Você sabe que ela é importante, mas talvez não saiba muito bem por quê. A vacina BCG, que existe desde 1921 e faz parte do calendário oficial da vacinação, deve ser tomada até os 4 anos e é tão fundamental que costuma ser dada na maternidade. A sigla refere-se ao agente causador da doença que ela previne, a tuberculose: BCG quer dizer Bacilo Calmette-Guérin.

Confira as vacinas que seu filho precisa tomar

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Segundo o médico pneumologista Marcus Conde, professor da UFRJ e pai de Raphael e Bruna, o ideal é vacinar o filho quanto antes. A chance de um bebê desenvolver a tuberculose (após ser infectado pelo bacilo) no bebe é de 50%, já nos adultos essa chance cai para 10%. Os sintomas da tuberculose dependem do órgão afetado. A Tuberculose pulmonar, que ocorre em 90 por cento dos casos, se caracteriza pela tosse crônica + febre no final do dia + falta de apetite + emagrecimento. Em crianças menores de 2 anos, a tuberculose pode surtir sintomas como agitação+ febre inexplicável+ dificuldade em mamar+ dor ao dobrar o pescoço. Mas, é sempre bom que se tenha uma avaliação médica cuidadosa.

A vacina combate os casos mais graves da doença, mas não impede que a criança ou o adulto fiquem doentes. A diferença é que, com a proteção da vacina, se ficar doente, a criança responde ao tratamento.

Não é só no pulmão

Apesar de atacar os pulmões em 80% dos casos, a tuberculose pode afetar outros órgãos. Um dos casos mais graves é a meningite tuberculosa, que atinge o cérebro. Quando a criança ou o idoso, que têm o sistema imunológico mais frágil, entram em contato com o bacilo, a tuberculose pode se disseminar por todo o organismo, como se fosse uma “septicemia (infecção generalizada) de tuberculose”.

Depois que a BCG foi criada, os casos graves de tuberculose são raros. Mas, mesmo com a vacina, o Brasil possui 75 mil novos casos de tuberculose por ano: estamos entre os 22 países responsáveis por 80% dos casos mundiais.

 

Tuberculose: Uma Doença de Muitos Órgãos

Localização da Infecção Sintomas ou Complicações
Cavidade abdominal Fadiga, dor discreta à palpação, dor semelhante à da apendicite
Bexiga Micção dolorosa
Cérebro Febre, cefaléia, náusea, sonolência, lesão cerebral que leva ao coma
Pericárdio (o saco membranoso que envolve o coração) Febre, dilatação das veias do pescoço, dificuldade respiratória
Articulações Sintomas similares aos da artrite
Rim Lesão renal, infecção em torno do rim
Órgãos reprodutivos Homens Mulheres Tumor na bolsa escrotal Esterilidade
Coluna vertebral Dor, pode acarretar colapso vertebral e paralisia dos membros inferiores

 

Fonte: Manual Merck de Saúde

O feto também pode pegar

Além da vacina, a melhor maneira de prevenir a doença é com informação. A tuberculose pode atingir qualquer pessoa, apesar de ser uma doença associada às más condições de vida.

Para que os casos diminuam é preciso fazer um diagnóstico rápido. Quando o identificada no início a doença é mais fácil de tratar e, assim, evita-se que o doente libere bacilos pelo ar.

Para que o ar se contamine, uma pessoa com tuberculose ativa precisa expelir as bactérias com a tosse.  O bacilo pode permanecer no ar durante várias horas.

O feto pode adquirir tuberculose através da mãe, antes ou durante o nascimento, por respirar ou engolir líquido amniótico infectado. O bebê também pode contrair a doença ao respirar ar que contenha gotículas de saliva infectadas.

BCG: tomar reforço ou não?

Até 2006, em alguns Estados brasileiros, como Minas Gerais, as crianças entre 6 e 14 tinham de tomar o reforço da vacina. A nova dose não é mais exigida, graças a pesquisas que demonstraram que o número de novos casos de tuberculose não mudava, pois as crianças na idade do reforço já tinham capacidade de combater o bacilo como um adulto.

Mas se seu bebê tomou a vacina ao nascer e até os 6 meses não formou a famosa marquinha,  converse com o pediatra e faça uama nova dose rapidamente. “Isso não adianta mais depois de anos. Somente neste começo”, esclarece Dr. Marcus.

O médico lembra que nem sempre a falta da cicatriz significa que a vacina “não pegou”. “Algumas pessoas não têm a capacidade de formar quelóide (cicatriz), mas o fato de não haver a marca pode, sim significar que a vacina não foi aplicada corretamente”, diz o médico.

Quando há contra-indicação?

As contra-indicações para a BCG são raras: crianças com imunodeficiências primária da célula T, recém-nascidos infectados pelo HIV que apresentemsintomas (os assintomáticos podem tomar a vacina caso o médico pediatra recomende).  

Há também contra-indicações relativas. Por exemplo, um recém-nascido com menos de 2 quilos não pode se vacinar, mas, a partir do momento em que ganha peso, deve receber a BCG. Ou, então, se a criança estiver com alguma doença de pele ou estiver tomando algum medicamento que deixe o sistema imunológico comprometido. Passadas essas situações, ela deve tomar a vacina.

Consultoria: Médico pneumologista, especialista em tuberculose, Marcus Conde, pai de Raphael e Bruna, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e convidado da Faculdade de Medicina de Petrópolis.