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Tudo sobre o sono do seu bebê

Ele não dorme a noite inteira? Normal, aprenda a criar uma rotina do sono

Redação Pais&Filhos

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Com certeza você já ouviu falar de bebês que dormem a noite inteira. E morreu de inveja dessas mães sortudas. Mas será que é só uma questão de sorte? Não. Para chegar lá, é preciso estabelecer uma rotina e esperar pela adaptação. Mas calma lá: “a noite inteira” para os bebês significa, no máximo, seis horas de sono, e isso vai acontecer quando eles já tiverem alguns meses de vida.

Recém-nascidos não têm um sono contínuo porque eles precisam se alimentar a cada três horas, mais ou menos.

A impressão é que são madrugadas e madrugadas em claro, e aí, depois que amanhece, o bebê dorme tão bem e tranquilo que parece até pegadinha. A boa notícia é que essa fase passa, e rápido. Com três meses, é perfeitamente possível que o seu bebê esteja dormindo como um anjinho e você poderá dar adeus às olheiras.
O importante é começar a preparar seu filho desde os primeiros dias para ter uma rotina de sono, adaptando-o aos pouquinhos ao mundo que ele acaba de conhecer a aos horários da família. Consultamos alguns especialistas para ajudar você e ao seu bebê a ter uma ótima noite de sono.

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Colo, não!

Nas primeiras semanas, o bebê costuma dormir logo depois de arrotar, o que implica em quase sempre adormecer no colo. Mas é preciso ir aos poucos mudando essa prática. “O bebê que adormece no colo espera acordar no colo”, aponta a psicóloga consultora da Pampers no Brasil e autora de O sono do meu bebê, Renata Soifer Kraiser, mãe de Nicole e Laura.

O nosso sono é formado por ciclos, que podem durar em média 60 minutos. Quando passamos de um ciclo para o outro, é normal que a gente acorde por um momento. Se o bebê adormecer no colo, quando ele estiver passando de um ciclo para o outro, pode se assustar ao reparar que não está no mesmo lugar onde adormeceu. Esse é um dos motivos dos bebês acordarem tanto à noite.

Então, nada de ficar com a criança no colo até que ela caia no sono. É muito importante que você coloque-a para dormir no berço ainda acordada. A gente sabe que não é fácil, mas isso também evita que ela se acostume a dormir apenas com a mãe ou o pai ao lado.

Estilos de soneca

Cada criança tem um jeito de tirar as sonecas, e isso pode mudar ao longo do tempo. Se antes o bebê tirava só dois cochilos curtos e agora dorme três ou quatro vezes por 45 minutos, não se preocupe e siga o estilo dele.

No geral, as sonecas ocorrem em quatro momentos (uma ao acordar, outra antes do almoço, a seguinte depois do almoço e a última no final da tarde) e vão diminuindo até que reste apenas a de depois do almoço que dura em média 60 minutos. “O cochilo após o almoço se mantém por mais tempo e muitos especialistas a recomendam por toda a vida, pois em um adulto esse hábito diminui em até 15% o risco de ataques cardíacos”, diz a psicóloga Renata.

Mas isso é muito relativo. A quantidade de horas de sono varia de organismo para organismo. “Os bebês que dormem pouco vão dormir pouco a vida toda, isso é de cada um”, completa o pediatra e pesquisador  do Instituto do Sono.  Gustavo Moreira, filho de Marília e Cláudio. E claro, as sonecas vão depender também de como foi o dia, agitado ou mais tranquilo. Por isso, se a filha da sua amiga dormia muito mais que a sua, ou se a sua mãe conta que você dormia a noite toda, ao contrário do seu bebê, não entre em pânico. Cada um tem o seu estilo de soneca que atende às suas necessidades.

Cólica, a inimiga do sono

Nos três primeiros meses, muitos bebês têm cólicas, acompanhadas de uma crise de choro que parece não ter fim.

O choro costuma ser mais alto e estridente do que o normal. Ele ainda pode seguir a Regra dos Três: dura três horas por dia, três dias por semana, por três semanas.

Perceba os sinais de dores físicas, como a flexão das pernas e a contração do abdômen – eles ajudam a identificar se é ou não é cólica.

”É muito importante também investigar se o bebê não tem nenhum tipo de alergia ou intolerância a algum alimento que pode ser transmitido através do leite materno”, ressalta Renata.

Se este não é o caso, boas notícias: a cólica costuma sumir no terceiro mês de vida do bebê. Mas, enquanto isto não acontece, utilize truques para fazer o seu pequeno dormir. Mantenha um ambiente tranquilo, seguro e acolhedor para o bebê, sem excesso de estímulos e passeios noturnos. O banho morno antes do sono diminui os níveis de cortisol (um dos hormônios do estresse) no sangue e relaxa.  Mas a principal dica é você descobrir o que realmente tranquiliza o seu filho. Há bebês que se acalmam ao ouvir uma música, por exemplo, ou com o barulho de um ventilador… Pois é! O negócio é descobrir qual é o seu caso.

Dorminhocos também têm problemas

Se seu bebê dorme mais do que o normal, isso pode ser ótimo para você, mas pode acarretar alguns problemas no futuro. Os dorminhocos costumam ser muito apegados à mãe, que são praticamente seu único elo fora dos sonhos. Isso pode causar uma ansiedade e dificultar a sua vida quando tiver que sair sem ele.
Não mude as regras da hora de dormir. Além disso, envolva sempre o pai no ritual do sono.

Algumas doenças físicas, neurológicas ou psiquiátricas podem gerar excesso de sono. Por isso, o acompanhamento pediátrico é essencial.  “As crianças são diferentes entre si, nem sempre o fato de dormir demais significa que há algum problema”, finaliza o neuropediatra do Sabará, Carlos Takeuchi, pai de João Pedro, Luis Felipe e Marco Antonio.

Manha X fome

“Se o bebê mamou e não se passaram duas horas, então provavelmente ele não está com fome”, aponta Renata. O choro de fome costuma ser contínuo e ritmado e, conforme ele não é atendido, a sua intensidade aumenta. Esse choro costuma ser bem diferente do de frustração ou de manha, que tem gritos e picos.
Muitas vezes, o choro do bebê durante a madrugada é mais assustador para a mãe do que para a criança, que apenas quer sua atenção. Com o tempo, você vai aprender a distingui-los até de longe.

Ao notar que o seu filho está apenas fazendo manha, não corra para mimá-lo. Aguente firme, a gente sabe que não é fácil. Nos primeiros dias, apareça depois de alguns minutos, mas não o tire do berço. Fique ao seu lado, converse com ele e saia do quarto. Aumente aos poucos o tempo que você demora para aparecer. Mantenha a babá eletrônica ligada, e preste atenção se o choro não é por conta de cólicas.

Sonecas descontroladas

Não importa a hora do dia e da noite, os bebês podem dormir, sem mais nem menos. Isso acontece porque o relógio biológico deles nos primeiros meses ainda não está formado. No útero, tudo era escuro, e para o feto não havia diferença entre dia e noite. Até agora, ele ainda não sabe que isso mudou.  

Como a digestão do leite materno é muito rápida, as crianças menores têm uma demanda muito acelerada por comida.

É como se, mais ou menos a cada 3 horas, os bebês “reiniciassem o sistema”, e encarassem realmente como um novo dia, em que precisam mais uma vez comer, arrotar, interagir com o mundo e então dormir novamente.

Conforme os meses vão passando, o bebê consegue permanecer acordado por mais tempo, começando a tirar sonecas. E assim, conforme as horas de sono noturno aumentarem, as horas de sono diurno vão diminuir.

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Aprenda os sinais

Deixe que o corpo do seu pequeno determine a hora de tirar um cochilo. Fique de olho nos sinais, como irritação, olhos vermelhos, movimentos ritmados, mau humor, agressividade, olhar parado e choro sem causa.
Ao reparar que ele está com sono, mesmo que não seja no horário habitual, deixe-o dormir. Se não, ele pode ficar agitado e reclamão, e isso pode refletir em seu sono à noite.

Preste atenção naquela soneca de cinco minutos durante a amamentação ou durante um passeio de carro. Ela inibe a sensação de sono dos bebês, mas não o sono de verdade.  

Só o bebê pode saber quando precisa dormir, e impedi-lo ou acordá-lo antes da hora pode desregular tudo. Lembre-se disso mesmo naquele dia em que você chega tarde do trabalho e está louca para pegá-lo acordado.

Rotina é essencial

Mesmo para os recém-nascidos é importante uma rotina diária. Ela traz a segurança que o bebê precisa para conseguir relaxar e se desligar dos pais na hora do sono. A partir da sexta semana, o bebê já está apto a entender como ela funciona. Ainda que ele não durma a noite toda, consegue saber que há um horário “oficial” de dormir.

O certo é adaptar o bebê a sua rotina, e não o contrário. Devemos respeitar o relógio biológico das crianças, claro, mas é possível adotar algumas estratégias para que ela vá se encaixando aos poucos nos horários da família.

Durante o dia, deixe as janelas abertas permitindo maior entrada de luz e ruídos. “Com a noite chegando, dê dicas de que aquele horário é para dormir. Atente para que a mamada da noite tenha um intervalo razoável da hora deo sono”, recomenda o pediatra Gustavo Moreira. O banho pode ser dado sempre no mesmo horário, como parte do ritual de dormir. Ele pode ser usado como um marco para o bebê entender que esse é o início de um processo que culminará no sono. Depois do banho, coloque o pijama, abaixe a luz, diminua o ritmo da sua fala, leve-o para o berço, cante uma música e finalmente desligue a luz. Luminárias com lâmpadas azuis podem contribuir para um sono tranquilo. Adote esse ritual todos os dias.

Flexibilidade

Quando você tem mais de um filho, outros compromissos aparecerão, não tem jeito. Acordar cedo para levar o mais velho na escola, reunião com os professores, aula de natação e por aí vai. A dica é não se estressar, e não ser tão rigorosa com a agenda programada.

Se o mais novo te tirou da cama cedo, aproveite e tome café da manhã com o outro filho. Na hora das sonecas diurnas do bebê, adote o hábito de fazer a lição de casa com o mais velho.

Esse tipo de exercício para encaixar todos os compromissos na agenda introduz o bebê à rotina da família sem sustos, fazendo com que todo mundo também se adapte ao novo membro. Pode parecer difícil no começo, mas as crianças pequenas não costumam perceber mudanças sutis em seus horários.

Então reorganize sua agenda, seja paciente com você mesma, não se culpe com pequenos atrasos e logo você verá que tudo se ajeita.  

Os horários de cada bebê

Não vá lavar a louça ou checar seus e-mails quando o seu recém-nascido finalmente pegar no sono. Durma você também, no mesmo horário, ao menos nas primeiras semanas. É importante que você se atente à sua saúde, e dormir bem é essencial para aguentar o novo ritmo e manter a produção de leite.

Conheça bem o seu filho e tente casar seus horários. Se ele gosta de acordar cedo, por exemplo, nada de ficar até tarde vendo TV. Se ele dorme logo após o almoço, antecipe a sua hora de comer para você poder fazer a sesta também.

Confira a média de horas que um bebê costuma dormir no total por dia*:

3 meses     por volta de 15 horas
6 meses     por volta de 14 horas
9 meses     por volta de 14 horas
12 meses     por volta de 13 horas
18 meses    por volta de 13 horas e meia
24 meses    por volta de 13 horas

*Lembrando que cada um tem seus horários, não significando que há algo de errado com ele.

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Consultoria: Carlos Augusto Takeuchi, pai de João Pedro, Luis Felipe e Marco Antonio, é neuropediatra do Hospital Infantil Sabará. TEL.: (11)3155-2800, sabara.com.br Gustavo Moreira, filho de Marília e Cláudio, é pediatra do Hospital Samaritano e pesquisador do Instituto do Sono. TEL.: (11) 3821-5300,  samaritano.org.br Renata Soifer Kraiser, mãe de Nicole e Lauram, é psicóloga e consultora da marca Pampers SAC 0800 701 5515, pampers.com.br

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