Família

Sem rotina! Esse pai cuida dos filhos, enquanto a mãe estuda fora do país

André Mazini conta como é o domingo na casa dele.... Tudo liberado!

Redação Pais&Filhos

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(Foto: Arquivo Pessoal)

André Mazini, pai de Julia e Gabriel, nos contou como é a rotina aos domingos na casa dele e provou que é muito mais gostoso quando não tem tanta rotina assim!

“Nosso domingo, ou melhor, este mês inteiro, tem nos mostrado como ainda existe uma série de estereótipos a respeito do “papel” do homem e da mulher numa família. Explico: ano passado eu estudei um tempo fora do país, passei alguns meses sozinho enquanto minha mulher cuidava de tudo em casa, dois filhos, cachorro etc. Todo mundo achou isso normal. Via de regra sorriam e concordavam que eu precisava mesmo aproveitar a oportunidade e diziam que a Ju (Juliana, minha mulher) iria tirar de letra. Pois este ano surgiu a oportunidade dela estudar um mês no mesmo lugar que eu fui. A Universidad de Salamanca, na Espanha, é uma das mais tradicionais do mundo. Estudar lá é realmente uma grande oportunidade. Mas a reação de quase todos que contamos a novidade não expressou muita empolgação:

– Mas, e as crianças, vão ficar?

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– Vão sim!

– Hum… (pausa dramática), legal.

Acho que muita gente, mesmo sem perceber, continua alimentando a ideia de que o homem é o provedor, e daí tudo bem se ele passar um tempo longe das crianças, afinal isso pode melhorar sua carreira. Já a mulher é a guardiã do lar e, por isso, o estranhamento diante do fato dela passar um tempo longe, ainda que isso vá ser ótimo para sua vida profissional. Sem crises, levamos isso numa boa. Aliás, eu fui o principal incentivador para que ela encarasse esta experiência.

Então, o contexto é este: mãe longe, pai no controle (ok, mais ou menos no controle) e, claro, vovós por perto pra dar aquela força porque ninguém é de ferro. Fim de semana na nossa família é assim: a gente dorme quando sente sono, acorda quando o sono acaba. Ainda mais num domingo de férias e chuvoso, em que a cama nos convida de forma bem persuasiva. Daniel, de dois anos, foi dormir para lá das 23h. Ficamos curtindo nossas séries preferidas do momento: eu, terminando “Breaking Bad”, na TV; ele repetindo algum episódio de “Meu Amigãozão”, pela centésima vez, no celular. A Júlia foi dormir na casa da vó Cris. Lá, ela montou um “escritório” onde tem passado a maior parte do tempo lendo gibis e escrevendo de tudo um pouco: cartas, músicas, listas e qualquer outra coisa que lhe dê na telha.

Então, como a noite de sábado foi longa, a manhã de domingo também foi. Não para mim, que tinha uns trabalhos para fazer e aproveitei o sono dos justos para adiantar. Lá pelas 9h30 ecoa pela casa um sonoro “papaaaiiii”, “papaieeee”. Daniel acordou, sorridente, dizendo que sonhou com o pessoal trabalhando dentro da barriga dele. Certa vez, ele debruçou a cabeça sobre minha barriga e perguntou porque fazia barulho e eu respondi que era um pessoal trabalhando para que o papai ficasse saudável. Ele adorou a metáfora e pelo menos uma vez por semana diz ter sonhado com isso.

Levei ele para fazer xixi, meio sonolento ainda, e depois preparei o solicitado: “mamá quente com leite e niscau”, mais precisamente um copo de leite integral, esquentado por 45 segundos no micro-ondas, com duas colheres de achocolatado em pó. Se sair da fórmula ele acusa imediatamente, um paladar refinadíssimo.

A Julia voltou da casa da avó uma hora depois, ansiosa para me mostrar um papel onde havia escrito uma lista do que gostaria de fazer durante o dia. Entre os itens, dois são as marcas registradas dela e presenças garantidas no dia a dia: ler gibi e escrever alguma coisa. A Julia tem um talento especial com as palavras. Ano passado foi uma das ganhadoras de um concurso de redação realizado pela Folha de São Paulo. A mais novinha também, entre os vencedores.

A redação rendeu para ela um convite para ser colunista da Folhinha. Pensa no orgulho do pai jornalista. O dia que dei a notícia para ela, recebi como resposta: Legal, agora posso voltar a brincar?! Adorei a reação porque reflete o que ela é, uma criança, feliz, desencanada e isso não será um trabalho, pois ela ama escrever, mas é uma diversão. Se diverte na piscina, brincando com o irmão, cantando e… lendo.

Ela lê demais, hábito que é muito estimulado pela mãe que estuda Pedagogia e é apaixonada por literatura infantil. Na primeira vez que perguntamos o que ela gostaria de ser quando crescesse, ela tinha quatro anos e foi firme e direta: “escritora do Mauricio de Sousa”. Até hoje fala a mesma coisa.

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