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Diagnóstico e intervenção precoces podem ajudar em certos casos de autismo, alerta professor de Yale

Palestra com Ami Klin aconteceu no último dia do 3º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil, em SP

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

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(Foto: Shuttertock)

No último dia do 3º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil, o simpósio sobre os Transtornos do Espectro Autista (TEA), temas dos mais esperados, lotou uma grande sala. Nos últimos anos, estudos e pesquisas vêm aumentando o conhecimento sobre o TEA. Um dos responsáveis por esse avanço é o professor Ami Klin, Titular do Departamento de Psiquiatria e Psicologia da Criança da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, e que apresentou a palestra.

“Nós ampliamos os Transtornos do Espectro Autista, que podem apresentar diferentes estágios. Antigamente só se conhecia e denominava autismo os casos mais severos”, lembrou Klin.

Autoridade na área, o professor apresentou uma série de exemplos para explicar cientificamente o que é o autismo, como ocorre o desenvolvimento do cérebro, as causas, e os efeitos no comportamento da criança. Em suas pesquisas, ele mostra a diferença de atenção do olhar entre crianças tidas como de padrões de desenvolvimento normais e crianças que estão no espectro autista.

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Enquanto as crianças com desenvolvimento padrão interagem com outros seres humanos e olham nos olhos, as do espectro autista se interessam pouco por pessoas nos primeiros anos e buscam objetos. Além disso costumam olhar em direção a boca das pessoas por causa da sincronia audiovisual.

Atraso na linguagem e dificuldade em se socializar, interesses restritos e comportamentos repetitivos são sintomas do autismo. No entanto, muitas vezes os casos são difíceis de diagnosticar. Segundo ele, é mais fácil notar algo fora do padrão da curva de desenvolvimento da criança antes dos 6 meses ou depois dos 15 meses, quando as crianças começam a falar.

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Professor Ami Klin durante simpósio no 3º Congresso Internacional Sabará de Saúde Infantil (Foto: Grace Stelmach)

“Apesar do autismo ser uma síndrome genética, 50% dos casos ocorrem por fator hereditário, que envolve o desenvolvimento do cérebro social, a detecção é puramente comportamental”, ressaltou o professor.

Outros fatores externos podem afetar o bebê, como problemas durante a gravidez.

Para Klin, o diagnóstico e intervenção precoce podem ajudar e até mesmo prevenir diagnósticos brandos. “Essas pessoas têm muito a oferecer para a sociedade. Em alguns casos, o autista tem uma inteligência acima dos padrões”. E completou em inglês: Let’s make autismo an issue of diversity, not of disability.

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