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Menos agenda, mais descobertas

Ritmo acelerado pode reduzir as possibilidades da infância

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(Foto: Shutterstock)

Adoro espiar o que sites de outros países abordam sobre o universo infantil, seja sobre comportamento, moda ou tendências. Dia desses li um artigo no Up to Kids, de Portugal, que falava sobre o movimento do Slow Parenting – ou, literalmente, pais sem pressa. Fiquei refletindo e olhando para meu dia a dia com a Donatella.

Dizem eles, e eu concordo, que os bebês precisam ser bebês, e as crianças, precisam ser crianças. Os pais precisam entender isso para desacelerar e entender que não devem ficar o tempo todo inventando atividades para estimulá-los. Um ritmo demasiado acelerado, que por aqui chamamos de “crianças executivas”, com a agenda sempre lotada, pode trazer problemas para os nossos filhos – e reduzir as possibilidades da infância. De ser livre, de experimentar sem compromisso, de curtir o tempo.

O assunto me levou a pensar ainda sob uma outra ótica. Como nós, pais, mesmo que sem querer, podemos conduzir a criança e gostar das coisas que dizem respeito ao nosso universo, limitando o espaço para que elas façam descobertas por si só. Um amigo me contou que certa vez, despretensiosamente, comentou na frente da filha que ninguém na família tinha vocação para Medicina. Ela acabou levando aquilo consigo e resolveu estudar Medicina, mas acabou desistindo do curso e se voltando para a área do Direito, com a qual ela mesma descobriu que tinha mais afinidade. O que fazemos, o que falamos em casa, influencia as crianças desde que são pequenas. Claro que muitas vezes elas podem ter as mesmas afinidades, mas dar liberdade para que elas descubram o mundo próprio delas é essencial.

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(Foto: Shutterstock)

Um dos meus maiores prazeres como mãe é ver a Donatella fazer pequenas descobertas no dia a dia e testemunhar que ela explora o mundo ao seu redor com liberdade. Acredito que precisamos resistir à tentação de “guiar” as crianças em termos de interesses – a bússola é essencial para a educação e para os limites, mas ela deve ser ponderada com a liberdade de escolhas.

Três dicas simples podem ajudar nessa dinâmica:

  1. Relaxe, desconecte do celular e dos problemas do trabalho, sente no chão e brinque com seu filho apenas com o que há ao redor. Você verá o mundo sob a ótica e o encantamento deles.
  2. Passeie ao ar livre sem ter necessariamente uma programação agendada. Deixe que ele descubra o mundo ao seu redor, as plantas, o bairro, a praia, o mato, seja o que for.
  3. Agende menos, entregue-se mais. Observe mais do ofereça. As crianças são “cientistas” por natureza e elas vão te mostrar coisas simples que talvez você nunca tenha percebido.

Um beijo e boas descobertas

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