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Quanto tempo dura uma birra?

Controlar a birra é um exercício de tentativa e erro

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(Foto: Shutterstock)

Basta contrariar o meu mocinho de dois anos, tirar um brinquedo, dizer “não” para um alimento ou simplesmente manda-lo para o banho que o processo de estresse tem início. Início imediato, diga-se. E um fim muito, muito distante. Quanto mais dou corda, mais choro, claro. E como perceber a hora de dar um basta e por um fim em tudo?

Eu estou no segundo filho e imaginava que a crise dos dois anos, que de fato existe, seria algo fácil de atravessar. Mas não tem um único dia que eu não grite, não chore, não separe os meninos ou não pense: o que eu estou fazendo?

Controlar a birra é um exercício de tentativa e erro. Tem momentos que pegar, olhar no olho, falar sério e ser dura resolve que é uma beleza.

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Opa! Ponto para a mãe.

Em outros, você faz tudo isso e… paft! Toma um tapa na cara. Um tapa daquele serzinho de dois anos, que cheio de lágrimas nos olhos, dispara um “nãooooo!” e estrala aquela pequena mãozinha gorducha em você.

Vem autocontrole, vem autocontrole, vem!

 

FilhosNannaPretto

(Foto: Arquivo pessoal)

Eu já tentei de tudo, juro. Ele sabe que gritar me tira do sério. E eu tento controlar a minha paciência. Ele já percebeu que irritar o irmão mais velho me deixa numa sinuca de bico. Mas o que ele quer mesmo é ver o circo pegar fogo.

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E eu já consegui fazer ele pedir desculpa. Eu não sei se ele percebeu que isso me coloca, novamente, no poder e me devolve a autoridade de mãe. E que, na maioria das vezes, resolve o problema.

Depois do tapa (em qualquer coisa, até quando ele bate num boneco) vem o ritual: “Rafa, faz carinho, isso não foi legal.”

Ele faz.

“e agora, o que tem que falar?”

Icupa…” (num tom muito, muito baixo, tal qual a posição dos olhos).

“Filho, olha no olho e fala mais alto”

ICUPA.”

“Dá um abraço.”

Ele me abraça (abraça o boneco ou qualquer outra coisa), enxuga as lágrimas e sai correndo. E rindo como se nada tivesse acontecido.

foto_NannaPretto

(Foto: Arquivo pessoal)

O que eu percebo é que a birra dura o tempo que precisamos para retomar o controle da situação –que fora perdido por conta de um grito, um choro ou uma bronca. O tempo da birra é proporcional à nossa maturidade materna. E ao nosso poder de praticar a paciência!

Eu venho praticando isso diariamente, numa tentativa de erros e acertos, como disse. Isso faz de mim uma mãe mais madura, mais experiente. E extremamente curiosa sobre esse universo infantil. E como que, dois seres da mesma cria, da mesma família e que vivem no mesmo habitat podem ser tão diferentes.

Continua….

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