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Criança ativa se torna um adulto saudável

Atividade física diminui ansiedade e risco de doenças metabólicas

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Há uns dias Gabriel correu uma prova de 5 quilômetros comigo. Como corredora e mãe, eu postei nas redes sociais toda orgulhosa.

Mas vieram as críticas, como já era de se esperar….

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“Você já está estimulando seu filho numa competição?”
“Você não tem medo de prejudicar a saúde dele?”
“Correr 5 quilômetros com 8 anos?”

Olha, confesso que a euforia e a alegria dele em fazermos isso juntos foi tamanha, que eu nem me toquei que algo assim poderia prejudicar meu filho. Além do mais, estávamos correndo na brincadeira e parando, cantando, subindo, descendo, eu explicando, ele amando dar sprints e passar na minha frente. For fun (divertimento) total, longe de ser algo competitivo.

Mas lá fui eu pedir socorro para as minhas fontes, afinal ele só tem 8 anos!

O médico do esporte Bruno do Hernandes é quem me acompanha e me ajuda muito no tratamento das minhas lesões e na biomecânica do meu movimento (o jeito de correr). Ele, em conjunto com uma equipe, faz com que a coisa funcione, por isso confio no que ele me diz:

“Criança ativa gera um adulto ativo! Aprende desde cedo que treinar e ter disciplina é fundamental para o bons resultados, não só esportivos. A atividade física diminui risco de doenças metabólicas, de osteoporose na terceira idade e reduz muito a ansiedade.”

O importante é ter prazer em fazer a atividade, seja ela uma partida de futebol ou uma corrida, diz Bruno. E, claro, tem sempre que ser monitorada por um responsável, seja pais ou professores.

Bruno também me explicou que, independente da atividade, as crianças (e os adultos) devem fazer o alongamento antes e depois e treinar para ter aprendizado neuromotor e coordenação motora.

E sem sobrecarga, né? Aliás, se Gabriel quiser ele pode até fazer uma prova por mês comigo, desde que seja no espírito esportivo, na pegada da diversão. “Nessa idade o que não pode haver é estimulo para melhorar tempo ou efeito competitivo.”

Essa conversa me animou muito. Não só por saber que meu filho ama praticar esporte e que isso faz um bem nadado para ele, mas também por descobrir que temos mais uma coisa que podemos fazer juntos: a corrida. E uma coisa eu trago de herança das provas de corridas de aventura: o ritmo é sempre o do mais fraco. Para tudo nessa vida.

Então, nessa corridinha de 5 km, eu até poderia acelerar, quebrar recordes pessoais ou puxar um treino mais forte. Mas troco isso tudo tranquilamente para correr ao lado do meu filhote e ver ele vibrar, assim como eu, ao cruzar a linha de chegada.

Bruno Hernandes é especialista em Medicina do Exercício pela sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício, com pós-graduação em Fisiologia do Exercício e Biomecânica do Aparelho Locomotor pelo Hospital das Clínicas (HC-FMUSP).

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