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O legado das Paralimpíadas

As Paralimpíadas foram acontecendo e eu pude perceber que começou a haver um envolvimento maior das pessoas

paralimpiadas

(Foto: Reprodução)

Após o sucesso que foi a Olimpíada no Rio de Janeiro, eu aguardava ansiosamente o início das Paralimpíadas. Sou uma pessoa amante do esporte, praticante da corrida de rua e incentivadora das pessoas saírem do sedentarismo. Além disso, após o nascimento da minha filha Lorena, com Síndrome de Down, sou ainda mais crente que as pessoas com alguma deficiência podem e devem praticar esportes.

Todavia, dado início às competições notei que meus compartilhamentos nas redes sociais acerca das medalhas conquistadas pelos brasileiros, não rendiam muito. Pude perceber que a grande maioria que comentava ou publicava algo dos atletas ou eram pessoas ligadas ao esporte ou pessoas ligadas a outras com deficiência, normalmente os pais.

Quando indaguei a alguns sobre o assunto, recebi algumas respostas do tipo: “não empolga tanto, pois não competem como a pessoa que não possui deficiência”, “não vejo, pois tenho aflição de ver as pessoas daquele jeito”, “nem sei onde está passando”.

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Confesso que fiquei muito entristecida. Como amante do esporte não conseguia entender qual a diferença entre os atletas olímpicos e paralímpicos, afinal todos treinaram exaustivamente, passaram por dezenas de competições, abdicaram da família e vida social, para estar ali representando o Brasil.

Mas as Paralimpíadas foram acontecendo e eu pude perceber que começou a haver um envolvimento maior das pessoas. Adultos, crianças, idosos, excursões escolares, ONG´s, pessoas de todas as classes sociais e do mundo todo lotaram as arquibancadas. Muitos sequer sabiam que havia tantas modalidades esportivas paralímpicas, mas estavam lá torcendo, e muito. Percebi inclusive, torcida generalizada pelo atleta e não por uma nação. Não importava de qual país fosse, pois todos eram ovacionados.

E vieram tantas medalhas brasileiras, recordes e muitas lágrimas. Peguei-me chorando por diversas vezes. Chorei copiosamente no ouro conquistado pela bocha, pela natação do Daniel Dias, pelos corredores com deficiência visual, entre outras vitórias emocionantes. A cada pódio havia uma história, um sorriso e possivelmente uma mudança de olhar. Mudança de olhar que nossa sociedade está tão necessitada: o olhar para o próximo sem enxergar a diversidade com indiferença, aversão ou preconceito.

Fico extremamente feliz que as Paralimpíadas realizadas em nossa pátria pode expor que é possível sim incluir e que a inclusão sempre é o caminho melhor. E fico ainda mais feliz da participação maciça das crianças nas competições, que vão crescer com exemplos tão sólidos que a deficiência não rotula ninguém. Essa competição veio mostrar a muitos que as pessoas com deficiências não precisam de compaixão, mas sim de apoio e luta conjunta pela democratização das oportunidades de acesso para além dos jogos, para que tenham uma rotina digna.

Uma semente foi plantada. Obrigada atletas, vocês são sensacionais.